Transposição na abertura de xadrez

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Transposição na abertura de xadrez



A transposição no xadrez é uma seqüência de movimentos que resulta em uma posição, que também pode ser alcançada por outra seqüência. As transposições geralmente ocorrem na fase da abertura, em que chega-se a uma mesma posição de diversas maneiras diferentes.Além da tabela de aberturas, a tabela de transposições é um elemento importantíssimo num software de xadrez

Exemplo - Posição 1

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a8b8c8d8e8f8g8h8
a7b7c7g8e7f7g7h7
g8e7g8e7e6f6g8e7
e7g8e7d5e7g8e7g8
g8e7c4d4g8e7g8e7
e7g8c3g8e7g8e7g8
a2b2g8e7e2f2g2h2
a1g8c1d1e1f1g1h1
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Diagrama 1. Posição obtida por meio do Gambito da Dama ou da Abertura Inglesa.
Por exemplo, a posição do diagrama 1 pode ser obtida pelo Gambito da Dama, com os lances:
  • 1. d4 d5
  • 2. c4 e6
  • 3. Cc3 Cf6
A mesma posição pode também ser alcançada com a Abertura Inglesa, com os seguintes movimentos:
  • 1. c4 Cf6
  • 2. Cc3 e6
  • 3. d4 d5

Exemplo - Posição 2

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a8b8c8d8e8f8e2h8
a7b7c7e2e7f7g7h7
e2g1e2g1e2f6e2g1
g1e2g1d5g1e2g1e2
e2g1e2d4e2g1e2g1
g1e2g1e2g1f3g1e2
a2b2c2g1e2f2g2h2
a1b1c1d1e1f1g1h1
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Diagrama 2. Posição obtida por meio da Defesa Francesa ou da Defesa Petroff.
A posição do diagrama 2 mostra um outro exemplo. Chegamos a esta posição pela Defesa Francesa:
  • 1. e4 e6
  • 2. d4 d5
  • 3. exd5 exd5
  • 4. Cf3 Cf6
...ou pela Defesa Petroff:
  • 1. e4 e5
  • 2. Cf3 Cf6
  • 3. Cxe5 d6
  • 4. Cf3 Cxe4
  • 5. d3 Cf6
  • 6. d4 d5

Exemplo - Posição 3

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a8b8c8d8e8f8e2h8
a7b7f2d7f2f7g7h7
e2f2e2f2e6f2e2f2
f2e2c5d5e5e2f2e2
e2f2e2d4e2f4e2f2
f2e2c3e2f2e2f2e2
a2b2c2f2e2f2g2h2
a1b1c1d1e1f1g1h1
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Diagrama 2. Posição obtida por meio da Defesa Francesa ou da Defesa Caro-Kann.
Novamente, a posição do diagrama 3 pode ser obtida de duas maneiras mostradas aqui. Com a Defesa Francesa:
  • 1. e4 e6
  • 2. d4 d5
  • 3. Cc3 Cf6
  • 4. e5 Cd7
  • 5. f4 c5
...ou com a Defesa Caro-Kann:
  • 1. e4 c6
  • 2. d4 d5
  • 3. f3 e6
  • 4. Cc3 Cf6
  • 5. e5 Cd7
  • 6. f4 c5

Alexander Alekhine e Emanuel Lasker se comentam

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Duas figuras lendárias do xadrez mundial: o alemão Emanuel Lasker e o russo Alexander Alekhine. Lasker foi campeão mundial de xadrez de 1894 a 1921. Alekhine foi campeão mundial de 1927 a 1935 e, novamente, de 1937 a 1946. Lasker pertenceu à geração anterior a Alekhine. A diferença de idade entre eles chegava a quase um quarto de século.
Lasker entusiasmava-se com o jogo dinâmico do jovem rival, e foi um dos primeiros assinalar suas extraordinárias qualidades. Em algumas ocasiões, Alekhine também manifestou a admiração por Lasker, chegando a reconhecer que havia aprendido muito com os livros do grande mestre da Alemanha.
Os dois chegaram a se enfrentar algumas vezes e, no final, o escore foi favorável ao grande Lasker (3 vitórias, 4 empates, 1 derrota).
O tema deste artigo é simples: selecionamos duas partidas. A primeira, jogada por Alekhine, foi comentada por Lasker. A segunda, jogada por Lasker, foi profundamente analisada por Alekhine.
A primeira partida, Alekhine vs. Frank Marshall, foi jogada no torneio de Baden-Baden (Alemanha) em 1925, e foi vencido de forma brilhante por Alekhine, que triunfou invicto, com 16 pontos sobre 20. Em segundo lugar, o célebre GM polonês Akita Rubinstein. Em terceiro, o GM alemão Friedrich Sämisch. Nas colocações abaixo ficaram Bogoljubow, Tartakower, Marshall, Rabinovich, Grünfeld, Aaron Nimzowitsch, C. Torre, Richard Réti, Treybal, Spielmann, e ainda GMs de porte como Yates, Tarrasch, Colle, Mieses e Thomas.
O ano de 1925 foi bom para Alekhine, que também venceu em Paris (na frente de Tartakower, Znosko-Borovsky e Colle) e Hastings (na frente de Vidmar, Yates e Janowsky).
Frank Marshall era o mais destacado jogador norte-americano. Embora sua melhor época tivesse sido as duas primeiras décadas do século XX (quando conseguiu ganhar torneios na frente de Em. Lasker e José Raúl Capablanca), em 1925 ele ainda podia ser considerado um dos dez melhores do mundo. Meses antes, em Nova York 1924 (torneio em dois turnos, vencido por Lasker), Marshall chegou em 4o lugar, conseguindo empatar com Capablanca (=2), Alekhine (=2) e derrotar Réti (+1=1). Em 1925, obteve bons resultados em supertorneios: 3o em Marienbad (invicto, derrotou o ganhador do torneio, Nimzowitsch), 4o em Moscou (na frente de Tartakower, Réti, Spielmann e Rubinstein). No torneio de Marienbad 1925, Marshall obteve a 5a colocação, na frente feras da época como Grünfeld, Nimzowitsch, Réti e Spielmann. Marshall era um jogador muito agressivo, amante de sacrifícios e ataques agudos. No jogo a seguir, ele deve ter se sentido muito desconfortável quando Alekhine é que assumiu a posição de atacante agressivo.
Repare numa coisa muito interessante: na partida abaixo, os comentários foram feitos por Lasker e também por Alekhine. Vale a pena comparar os dois pontos de vista:
Alekhine,A - Marshall,F
. Baden-Baden 1925
1.d4 d5 2.c4 Cf6 [Esse lance estranho caracteriza a defesa Marshall, que nunca foi adotada por nenhum grande mestre em partida séria, a não ser o próprio Marshall, é claro. N.T.] 3.cxd5 Cxd5 4.e4 [Mais tarde, Alekhine preferiu 4.Cf3 Bg4 5.e4 Cf6 6.Cc3 e6 7.Be2, Alekhine-Aranceguy, Mexico 1929.] 4...Cf6 5.Bd3 ["Também depois 5.Cc3 e5! as pretas obteriam jogo igual." (Alekhine). "Se 5.Cc3 as pretas responderiam com 5...e5! 6.dxe5 Dxd1+ 7.Rxd1 Cg4 8.Ch3 e o jogo estaria equilibrado. (Lasker)] 5...e5 [Essa é a idéia básica da defesa Marshall] 6.dxe5 Cg4 7.Cf3 Cc6 8.Bg5! ["As brancas têm consciência de que não obteriam nenhuma vantagem se tentassem manter o peão extra." (Alekhine) 8.Bf4? Cb4! 9.Da4+ (9.Be2 Dxd1+ 10.Bxd1 Cd3+ ganhando) 9...Dd7? (9...Bd7 daria vantagem às pretas) 10.Dxd7+? (10.Bb5) 10...Bxd7 11.Re2 Cxd3 12.Rxd3 Cxf2+ ganhando. Trompowsky-Grau,R, Montevideo 1925.] 8...Be7 9.Bxe7 Dxe7 10.Cc3 Ccxe5 11.Cxe5 Dxe5 ["As pretas superestimam sua posição. Deveriam evitar a exposição de sua dama aos ataques das peças inimigas e obter um jogo mais ou menos equilibrado a partir de 11...Cxe5" (Alekhine)] 12.h3 [12.Be2 c6 13.f4 Cd7 14.Dd4 0-0 15.0-0-0 Grünfeld-Becker, Breslau 1925.] 12...Cf6 13.Dd2 ["É surpreeendente o modo como esse simples movimento de dama - que reforça o domínio branco das casas escuras - amplia as chances no meio-jogo." (Alekhine)] 13...Bd7 14.De3 ["Controlando d4 e c5 e evitando o roque largo das pretas." (Alekhine)] 14...Bc6 15.0–0–0 0–0 ["As brancas rechaçaram o ataque precipitado das pretas e agora, ao rocar grande, permitem que o adversário tenha um alvo. Porém também é verdade que as brancas preparam um enérgico ataque no flanco oposto. Na medida em que o ataque à casa h7 pode ser quase imediato, parece que a demonstração branca está mais adiantada do que a rival. Em todo caso, Alekhine permanece com a iniciativa." (Lasker)] 16.f4 De6 ["As peças pretas começam a deslizar morro abaixo. 16...Da5 teria sido mais natural e preferível." (Lasker) 17.Bc4 (Alekhine)] 17.e5 Tfe8 [17...Cd5 18.Cxd5 Bxd5 19.Bxh7+ Rh8 (19...Rxh7 20.Dd3+ Rg8 21.Dxd5±) 20.Bf5± (Lasker)] 18.The1 Tad8? ["O correto teria sido 18...Cd7." (Alekhine). "Este era o momento oportuno para jogar 18...Cd7. Mas as pretas não se sentem bem realizando manobras defensivas. Acontece que elas são forçadas a agir assim porque as brancas têm melhor desenvolvimento e dois peões para prosseguir o ataque, ao passo que as peças pretas no flanco de dama são, no momento, simples espectadoras." (Lasker)] 19.f5 De7 20.Dg5 Cd5 21.f6 Df8 22.Bc4! ["Excelente! O Cd5 preto atrapalha o ataque duplo contra a Td8 preta, montado pela Td1 e, indiretamente, pela Dg5 das brancas." (Lasker)] 22...Cxc3 [22...h6 23.fxg7! hxg5 24.gxf8=D+ Rxf8 25.Bxd5 Bxd5 26.Txd5 ganhando; 22...Cb4 23.Txd8 Txd8 24.fxg7 De8 25.e6 Cd3+ 26.Rb1! Cxe1 27.exf7+ ganhando] 23.Txd8 Txd8 24.fxg7 Cxa2+ [24...De8 25.Bxf7+! Dxf7 26.Dxd8+ Rxg7 27.bxc3+-] 25.Rb1! [As brancas teriam perdido as maiores oportunidades de ganho depois de 25.Bxa2 Dc5+ 26.Rb1 Td7.] 25...De8 26.e6 Be4+ 27.Ra1 [27.Txe4 Td1+ 28.Rc2 vence] 27...f5 28.e7+ Td5 29.Df6 Df7 30.e8=D+ e as pretas abandonaram. 1–0
A segunda partida, Lasker-Bogoljubow, foi jogada em Nova York 1924. Neste grande torneio, jogado em dois turnos, Lasker alcançou seus êxitos mais fulgurantes. Chegou em primeiro lugar com 1,5 ponto na frente de Capablanca e 4,0 pontos na frente de Alekhine (que três anos depois conquistaria o título mundial!). Para um homem que já estava na sexta década da vida, um feito ainda hoje inigualado.
O russo Bogoljubow chegou a ser, nos anos 1920s, o quarto ou quinto melhor jogador do planeta. Sua coleção de sucessos em torneios não merecia ser esquecida. Depois de um belo 2o lugar ao lado de Alekhine em Margate 1923 , Bogoljubow venceu uma sucessão inacreditável de supertorneios: Karslbad 1923 (ao lado de Alekhine e Maroczy), Breslau 1925 (na frente Nimzowitsch, Rubinstein, Réti), Berlim 1926 (na frente Rubinstein, Grünfeld, Spielmann), Bad Kissigen 1928 (invicto, na frente de Capablanca, Max Euwe, Rubinstein, Réti, Tartakower, Marshall), Berlim 1928 (na frente de Sämisch e Grünfeld). Seu maior triunfo, porém, foi a vitória em Moscou 1925, à frente de Em. Lasker, Capablanca, Marshall, Réti, Grünfeld, Rubinstein e vários outros grandes mestres. Portanto, Bogoljubow estava no apogeu de sua carreira quando enfrentou Lasker.
Vejamos a partida comentada por Alekhine, à qual acrescentamos algumas notas referentes às linhas de abertura recentes:

. Lasker,E - Bogoljubow,E [B40]
. New York, 1924
1.e4 c5 2.Cf3 e6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Bd3 Cc6 6.Cxc6 bxc6 [6...dxc6 7.0–0 e5 8.Bg5 h6 9.Bh4 Bc5 10.Cd2 De7 Karatorossian,D-Psakhis,L, Open, Ubeda ESP 2001] 7.0–0 Be7? [O lance correto era 7...d5. Na verdade, as pretas só deveriam ter jogado ...Be7 depois que as brancas tivessem jogado De2. (Alekhine) ; 7...d5 8.Cd2 a5 9.c4 Be7 10.cxd5 cxd5 11.Bb5+ Bd7 12.Bxd7+ Dxd7 13.e5 Cg8 14.Dg4 g6 15.Cf3 Rf8 16.Bd2 h5 17.Df4 Ch6 18.h3 Cf5 19.Tac1 Rg7 ½–½ Vooremaa,A-Petrosian,T, Tallinn 1979; 7...d6 8.b3 Be7 9.Bb2 e5 10.Cd2 0–0 11.Cc4 Be6 12.De2 Cd7 13.Tad1 Te8 14.Dd2 Cc5 15.Tfe1 f6 Diez del Corral,J-Kortschnoj,V/Palma de Mallorca 1968] 8.e5! [Agora as pretas ficarão com um peão atrasado em d7 e, pior ainda, enfraquecidas nas casas escuras.] 8...Cd5 9.Dg4 g6 10.Cd2 f5 [Embora esse lance praticamente elimine os perigos futuros sobre o rei preto, a verdade é que as pretas continuam tendo problema com seu peão d7. Na verdade, Bogoljubow tinha em mente uma ameaça tática.] 11.Df3 Cb4 [A idéia é conseguir a vantagem do par de bispos ou então ganhar um peão para mascarar a debilidade em d7-d6.] 12.Cc4 Ba6 [Com a dupla ameaça de ...Bxc4 ou de ...Cxc2.] 13.Bd2! [Lasker poderia ter segurado tudo com 13.De2 mas ele escolhe uma continuação muito mais enérgica. Trata-se de um sacrifício de peão com idéia explorar a fraqueza da posição das pretas por meio da rápida mobilização das peças e também da expulsação do cavalo preto. (Khalifman fornece a seguinte variante: 13...0–0 14.Bh6 Tf7 15.Tfc1 Cxd3 16.cxd3 Tb8 17.b3 com ligeira superioridade branca.)] 13...Cxc2 [As pretas aceitam o sacrifício acreditando que poderão devolver o peão e melhorar suas situação. É muito interessante como Lasker refuta essa idéia.] 14.Tad1! 0–0 15.Cd6! [Agora a profunda idéia do sacrifício finalmente se torna clara: as brancas querem explorar a precária colocação do cavalo preto para obter vantagem decisiva.] 15...Cd4 [As pretas poderão proteger seu peão atrasado em d7 bloqueando a coluna 'd'.] 16.De3 Bxd3 17.Dxd3 Bxd6 [Praticamente todos os movimentos das pretas foram forçados. Obviamente elas não poderiam ter jogado 17...c5 18.Bh6 Bxd6 19.exd6 Tf7 20.b4 porque as brancas recuperariam o peão com uma magnífica posição.] 18.exd6 e5 [18...c5 19.b4 Cc6 20.bxc5] 19.Tfe1 Df6 20.Bc3 [Agora nós podemos ver o resultado de um ataque executado de maneira impecável e por meios quase inperceptíveis. As pretas não têm como se defender das ameaças de f2-f4 ou Dc4+ e nem mesmo se devolverem material conseguirão melhorar sua posição.] 20...Tae8 [20...Dxd6 21.Dc4+ Dd5 (21...De6 22.Txd4 ganhando; 21...Tf7 22.Bxd4 exd4 23.Txd4 com jogo superior) 22.Dxd5+ cxd5 23.Txe5 d6 (23...Cc6 24.Texd5) 24.Txd5 Ce2+ 25.Rf1 Cxc3 26.bxc3 Tfc8 27.T1d3 com vantagem branca.] 21.f4! Dh4 [21...Df7 22.Txe5 Ce6 (22...Txe5? 23.Dxd4+-) 23.Tde1±] 22.Dc4+ Ce6 23.Bxe5 Rf7?! [Esse movimento não faz muito sentido. Certamente teria sido preferível 23...Dd8 ] 24.Te3! [Ameaça 25.Th3] 24...Dd8 25.Tb3 Da5? [A invasão da torre branca na coluna 'b' deveria ter sido sido impedida de todas as maneiras. Por isso, 25...Da8 teria aumentado a resistência preta.] 26.Tb7 Dc5+ 27.Td4! [Essa sutileza deve ter sido omitida quando as pretas executaram seu 25o. lance. Bogoljubow só tinha levado em conta a troca imediata de damas, que teria dado a ele algumas chances de empate.] 27...Td8 28.b4 Dxc4 29.Txc4 g5 30.Txa7 Cxf4? [As pretas deveriam ter salvado seu peão 'c' com 30...Rg6 Agora os dois peões passados unidos das brancas proporcionam vantagem decisiva.] 31.Bxf4 gxf4 32.Txc6 Tg8 [Essa manobra de torre não leva a lugar algum. De qualquer maneira tanto faz, as pretas estão perdidas mesmo.] 33.Rf2 Tg6 34.b5 Re6 35.Tc2 Tgg8 36.Rf3?! [Prolonga desnecessariamente a luta. Mais simples teria sido 36.a4 Ta8 37.Te2+ (37.Txa8 Txa8 38.Ta2) 37...Rxd6 38.Td2+ Re5 39.Tdxd7+-] 36...Ta8 [36...Rxd6 37.Ta6+ Re5 38.Te2+ Rd5 39.Td2+ Rc5 (39...Re5?? 40.Tad6 e o mate é inevitável.) 40.a4 com superioridade decisiva. - Khalifman.] 37.Te2+ Rxd6 38.Td2+ Rc5 39.Tdxd7 Rxb5 40.Txa8 Txa8 41.Txh7 Ta3+! [Uma pequena finesse. Depois de 41...Txa2 42.Tg7 (42.Tf7 Rc4 43.Txf5) 42...Ta1 (42...Ta4 43.Tg5) 43.Tg5+- as pretas teriam que abandonar. Agora, elas podem manter seu peão 'f' por algum tempo.] 42.Rxf4 Txa2 43.Tg7 Tf2+ 44.Re5 f4 45.Re4! Rc5 [O avanço 45...f3 seria contido por 46.gxf3 Txh2 47.Tc7+-] 46.h4 Rd6 47.h5 Tf1 [47...f3 48.g4! Tf1 49.Re3 ganhando.] 48.Tg4 Th1 [As pretas deveriam ter jogado 48...f3!? 49.gxf3 (49.Tg6+ Re7 50.gxf3 Rf7) 49...Re6 embora, claro, estivessem perdidas.] 49.Tg5 Th4 50.Rf5 Re7 51.Rg6 Rf8 52.Ta5 Th2 [52...Tg4+ 53.Rf6 Re8 (53...Rg8 54.Tg5+ Txg5 55.Rxg5) 54.h6 Txg2 (54...Th4 55.Ta8+ Rd7 56.h7; 54...f3 55.gxf3 Tg3 56.h7 Txf3+ 57.Rg5 Th3 58.h8D+ Txh8 59.Ta8+) 55.h7 Th2 56.Ta8+ Rd7 57.h8D Txh8 58.Txh8 Rd6 59.Th4 f3 60.Tf4+-] 53.Ta2 f3 54.Ta8+ Re7 55.gxf3+- Tg2+ 56.Rf5 Th2 57.Ta7+ Re8 [57...Rd6 58.h6 Th3 (58...Txh6? 59.Ta6+) 59.h7 Th2 (59...Txf3+ 60.Rg6 Tg3+ 61.Rf7 Th3 62.Rg8 Tg3+ 63.Tg7) 60.Rf6 Th4 61.Rg7] 58.Rg6 Tg2+ 59.Rf6 Tf2 [59...Th2 60.Ta5 Th3 (60...Tf2 61.Ta8+ Rd7 62.h6 Txf3+ 63.Rg5 Tg3+ 64.Rh4 Tg1 65.h7 Th1+ 66.Rg3) 61.f4 Th1 62.Rg7 Tb1 63.h6 Tg1+ 64.Tg5] 60.Ta8+ Rd7 61.Ta3 e as pretas abandonaram. Não haveria mais o que fazer depois de 61...Th2 62.Rg6 Tg2+ 63.Rf7 Th2 64.Td3+ Rc6 65.Rg6 Tg2+ 66.Rh7 Tg3 67.h6 Rc5 68.Rh8 Th4 69.h7 Tg3 70.Td8 Txf3 71.Rg7 Tg3+ 72.Rf6 Tf3+ 73.Rg5 Tg3+ 74.Rh4 1–0

A escolha do Herói

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Uma Produção de : www.xadrezon.blogspot.com

Com tantos livros de xadrez, o que estudar? Essa é um pergunta que todos os enxadristas fazem, do iniciante ao capivara experiente. Desconfio de que a esmagadora maioria das pessoas não sabe comprar os livros certos nem montar um bom plano de estudos. Claro que eu não poderia dar conselhos a respeito haja vista que não sou treinador nem tampouco jogador. Mas disponho do direito sagrado do palpite. Palpite baseado um tiquinho no que andei lendo por aí.
O GM inglês R. Keene já escreveu mais de cem livros de xadrez, a maioria porcaria e dois ou três realmente bons (sua biografia com partidas comentadas de Aaron Nimzowitsch é talvez o melhor que já escreveu, e até comentaristas enjoados como Watson, Donaldson e Silman cobriram de elogios). Pois é, com tanta experiência de escrever livros de xadrez, Keene deve ter algum bom conselho a dar:
"Há muitos anos tenho defendido um método efetivo para melhorar os resultados: adote um herói pessoal e estude seus jogos em profundidade. Com esse estudo, você passará a ter um método coerente e sistemático de jogo. Se seu herói escolhido for ainda vivo (e ativo), esse procedimento ainda poderá ser uma contínua fonte de inovações teóricas na abertura, um ingrediente vital nos torneios modernos, especialmente em torneios com jovens, nos quais um profundo estudo das linhas da moda é facilmente perceptível (correta ou incorretamente) e é chave infalível para o sucesso. (...) Se seu estilo tende para o posicional ou estratégico, então Mikhail Botvinnik ou Anatoly Karpov poderiam ser seu herói. Se seu estilo tende em direção à volatilidade tática e engenhosas idéias de ataque, então você pode ir atrás de Alexander Alekhine e de Bobby Fischer. (...) Um dos benefícios específicos do estudo das partidas de um mestre particular é a aquisição de um padrão de jogo para as manobras difíceis."
É importante lembrar que Keene escreveu esse troço em 1999, ou seja, numa época com Internet, ChessBase e já com centenas de livros bons de estratégia, finais, conceitos posicionais em aberturas, etc. Portanto, ele não está recomendando o estudo de um jogador específico por falta de bons livros no mercado, mas sim porque esse tipo de estudo é útil mesmo.
Examinando autores antigos e modernos, percebemos que os grandes mestres e os grandes instrutores repetem o conselho sem parar: escolha um jogador específico e estude todas as suas partidas.
Aaron Nimzowitsch contou que era apenas um jogadorzinho juvenil e promissor, com algum talento tático, quando resolveu mergulhar no estudo de partidas de alguns jogadores. Pegou o livro de Siegbert Tarrasch (!) sobre o torneio de Nuremberg 1906.
Esse torneio foi um grande triunfo de Frank Marshall, invicto (+9 =7), na frente de Duras, Schlechter, Mikhail Chigorin, Tarrasch, Znosko-Borovsky, Vidmar, Spielmann, Janowsky, etc, num total de 17 participantes.
Nimzowistch pegou o tal livro, levou a um encadernador e pediu que o cara botasse uma folha em branco entre cada uma de duas páginas impressas. As tais páginas em branco serviriam para anotações pessoais a respeito dos jogos. O próprio Nimzowitsch nos conta em um texto publicado originalmente em 1929:
"Então comecei a investigar vários jogos, especialmente os de Salwe, Duras e Forgács, e também os jogos de pretas de Chigorin. Anotava o resultado de minhas investigações nas folhas de papel em branco. Eu passava o tempo inteiro tentando adivinhar o que cada lado iria jogar, tanto de brancas quanto de pretas. Dessa maneira, cada jogo deveria durar seis horas, pelo menos. (...) Nas partidas de Salwe, eu estudei as características da posição com peão isolado em d4. (...) Percebi que não havia necessidade de pressa para ocupar o ponto e5 porque mais cedo ou mais tarde as pretas colocavam uma peça em d5 e então o ponto e5 continuava à disposição! (...) No caderno, eu não apenas colocava o conteúdo puramente técnico da manobra, mas também os aspectos psicológicos (‘Com freqüência, as casas são enfraquecidas automaticamente’, "Não tenha pressa!’ etc). (...) O resultado de minhas investigações foi que: (1) trabalhei sobre um detalhado plano de defesa (...) seguindo os passos de Chigorin; (2) Aprendi a jogar com paciência (...); (3) Além disso tudo, após um detalhado estudo de certos jogos, comecei a entender a estratégia das posições bloqueadas..."
Em seguida, Nimzowitsch lembra que esse método parecia apropriado para o começo do século XX, quando ainda havia poucos livros instrutivos. Mas ainda deveria ser adotado em 1929, quando já havia publicado "Meu Sistema", que ele sempre recomendou por considerá-lo o único do mundo realmente didático ? O próprio Nimzowitsch nos responde:
"O método que adotei em 1906 ainda hoje poderia ser recomendado sem hesitação. Vamos supor, por exemplo, que um jovem jogador de estilo combinatório se dedique a estudar com atenção, lance por lance, uma partida de José Raúl Capablanca. Surge um tipo de posição que excita o rapaz, inflama sua curiosidade. Ele quer saber qual teria sido o lance de Capablanca que deu continuidade ao ataque. Então, depois de tentar adivinhar, ele descobre que Capablanca jogou um lance que parece totalmente passivo. O jogador tático fica decepcionado e até irritado. Mas se ele realizar um exame profunda, perceberá a enorme força do movimento. Essa é a sensação causada por um lance puramente posicional em vez de um lance direto e esperado de ataque. Essa sensação (esse choque) tem um profundo significado pedagógico."
Podemos então resumir as sugestões:
  1. Escolha um herói do xadrez (ou alguns heróis) e estude muitas partidas.
  2. Tente adivinhar cada lance e depois compare seu palpite com o que realmente fez o mestre.
  3. Aos poucos, você irá aprender como proceder em posições típicas.
Esse método de estudo ensina todas as fases da partida: abertura, meio-jogo e final. E ainda tem um mérito complementar: pode ser bem mais divertido do que o estudo de fragmentos de jogo que costumam aparecer nos tratados de estratégia e de finais. Dá para adquirir uma visão mais holística (totalizante) do jogo.
É impressionante a lista de GMs que defendem esse tipo de estudo. Colhi alguns depoimentos de gente de alto nível como Karpov, Mikhail Tal, Seirawan, P. Benko, Browne, Csom, Federowicz, L. Schmid, Robatsch, G. Sigurjonsson, Alexander Kotov, Tigran Petrosian, todos grandes mestres internacionais:
"Existem poucos livros bons. Eu comecei com as partidas anotadas de Alekhine e de Nimzowitsch. " (Lothar Schmid, GM alemão)
"Jogadores mais fracos (Classe B e abaixo) devem estudar o livro de Botvínnik sobre suas próprias partidas e "Meu Sistema" de Nimzowitsch. Os jogos de Tahl são excelentes para treinar tática. (...) Muitos jogadores que tentam chegar a MI subestimam o valor desse tipo de livros. Eu particularmente estudei todos os livros de partidas dos heróis do passado. (...) Quando você estiver estudando essas partidas, vá devagar e leia com atenção cada nota, para ter certeza de que absorveu tudo. (...) Um dos primeiros livros que li foi "Cem partidas selecionadas de Botvínnik", um dos melhores livros jamais escritos. Mas o jogador que me influenciou definitivamente foi Bobby Fischer. Seu jogo dinâmico, agressivo, espontâneo e sempre visando ao ataque é o tipo de estilo que todos deveriam ter. O estudo detalhado de seus jogos melhorou muito minha habilidade." (Walter Browne, GM australiano, ex-campeão da Austrália e dos EUA)
"Procure estudar as partidas dos mais destacados mestres. Não há necessidade estudar milhares de partidas de todos os GMs. Procure se concentrar nos jogos de Karpov e Garry Kasparov. (...) Coleções de partidas são altamente recomendáveis. Especificamente, Botvínnik, Alekhine e Capablanca são excelentes para o estudo de jogadores em nível classe B." (Yasser Seirawan, o mais forte GM norte-americano nos anos 1980s)
"Suponha, por exemplo, que um garoto seja excelente tático mas não tenha idéia de onde colocar as peças. A solução é estudar os jogos de Tigran Petrosian ou Ulf Andersson, dois jogadores com estilo bastante posicional. Um rapaz de joga muito passivamente deve debruçar sobre as partidas de Kupreichik e Bellon, dois dos mais agressivos jogadores. (...) Pessoalmente, estudei coleções de partidas e procurei extrair de cada uma peculiaridade do seu estilo. Os jogos de Rubinstein (na obra de Hans Kmoch) são excelentes para isso. Inúmeros jogadores soviéticos ganharam pontos ELO estudando esse mestre." (Mikhail Tahl, GM soviético, ex-campeão do mundo)
"Aprendi a maior parte do que sei em uma biografia húngara de Capablanca que incluía mais de 300 partidas. Eu tinha 15 anos de idade quando estudei em profundidade seus jogos e logo dei um salto na minha força enxadrística. Com 17 anos, eu me tornei mestre, vencendo um torneio em Budapeste na frente de mais de dez mestres." (Paul Benko, GM húngaro naturalizado norte-americano, ex-participante do Torneio de Candidatos)
"Ao longo dos anos, quando os jornalistas e os fãs me perguntam pelos livros que me influenciaram como jogador de xadrez, eu usualmente repondo ‘Um grande livro’, e então começo a listar livros que a meu ver todos os novatos deveriam ler. Minha lista mudou através dos anos, mas existe um livro que jamais saiu dela: "Partidas selecionadas de Capablanca" de Vassily Panov. (...) Ganhei do meu pai quando fiz oito anos de idade. (...) Li e reli esse livro de capa a capa como uma novela ou uma história de aventura. (...) Eu estava estudando e aprendendo sem perceber." (Anatoly Karpov, ex-campeão mundial)
"Fui muito influenciado pelos jogos de Petrosian. (...) Os jogos de Kárpov são muito instrutivos." (John Federowicz, GM norte-americano, membro da equipe olímpica dos EUA nos anos 1980s)
"Nunca estudei muito teoria específica do xadrez. Aprendi sobre meio-jogo, finais, aberturas, diretamente do estudo de partidas completas. Especialmente os jogos de Capablanca e de Alekhine." (Karl Robatsch, GM austríaco, medalha de ouro de primeiro tabuleiro na Olimpíada)
"Os primeiros livros que me influenciaram foram "Meu Sistema" de Nimzowitsch e a coleção de partidas de Alekhine." (Istvam Csom, GM húngaro)
"Comecei estudando "Fundamentos do Xadrez" de Capablanca e em seguida uma coleção de suas partidas. Ele foi um jogador que me influenciou bastante. (...) Botvínnik também me influenciou, e sempre apreciei estudar suas partidas." (Gudmundur Sigurjonsson, GM islandês)
"Os primeiros livros que estudei foram "Meu Sistema" e a coleção de partidas anotadas de Alekhine. " (John Grefe, MI norte-americano, ex-campeão dos EUA)
"Certa ocasião, Polugaevsky comentou entusiasmado sobre o prazer que teve ao analisar partidas do antigo torneio de Hastings 1895. (...) Constitui um dever do jovem jogador conhecer a história do xadrez e estudar as melhores partidas do passado..." (A. Kótov, GM, ex-campeão da URSS e participante do Torneio de Candidatos)
"A melhor maneira – e talvez a única – de aprender xadrez é o estudo das partidas dos grandes mestres do passado." (Tigran Petrosian, ex-campeão mundial)
O grande campeão mundial Gari Kaspárov, que possui um conhecimento enciclopédico de xadrez, pensa exatamente do mesmo modo:
"O trabalho criativo de um grande jogador de xadrez, e especialmente de um Campeão do Mundo, nunca perde sua importância. Sempre representa uma nova página na história do xadrez, porque cada campeão mundial, quando estava em seu apogeu, realizou sua contribuição particular para a história do jogo dos nobres. (...) O quanto esses fatos novos podem acrescentar ao nosso entendimento do xadrez é algo que somente o tempo poderá mostrar."
O próprio Kaspárov também reconhece a importância que o estudo profundo das partidas de um jogador exerceu sobre a ampliaçõa de suas capacidades e estilo pessoal de xadrez:
"As partidas de Alekhine e seus comentários exerceram uma grande influência sobre mim desde os primeiros anos. Fiquei apaixonado pela rica complexidade de suas idéias sobre o tabuleiro. Os ataques de Alekhine brotavam inesperadamente, como terríveis tempestades surgindo de um céu claro. A partir daí, fui estimulado a querer jogar no mesmo estilo dinâmico do grande campeão mundial nascido na Rússia."
Vale a pena frisar: o conselho de estudar partidas de GMs não tem nada a ver com a falta de bons livros de instrução (vários jogadores citam "Meu Sistema", por exemplo). Basta ter em conta que o GM inglês John Nunn, um dos mais fortes do mundo nos anos 1980s, e hoje autor de livros de xadrez de excepcional qualidade, escreveu no ano de 2000:
"Depois que você já alcançou um certo nível, é valioso estudar coleções de partidas de jogadores famosos. Eles podem ser mais divertidos quando contém trechos biográficos, além das análises. "A vida e os jogos de Mikhail Tahl" cobre a carreira de um dos mais brilhantes jogadores da história do xadrez, falecido em 1992. Um livro mais geral de partidas clássicas é "The Mammoth book of the world’s greatest chess games" de Graham Burgess, John Emms e John Nunn."
O mesmo comentário pode ser feito a respeito do MI norte-americano Jeremy Silman, que ganha a vida escrevendo livros de xadrez para iniciantes e jogadores médios (rating até 2200), alguns em parceria com Y. Seirawan. Ele bem que poderia ter dito que os próprios livros são a melhor coisa do mundo, mas foi honesto o bastante para reconhecer, em 1993, que
"Uma das melhores maneiras de aprender xadrez é estudar as vidas e partidas dos mestres. Sua escolha dependerá do gosto pessoal e do estilo de jogo. Mas procure estudar coleções de partidas que contenham anotações que expliquem o que o mestre estava pensando."
O GM Johnatham Tisdall, atualmente radicado na Noruega, escrevendo em 1997, reforça a idéia:
"Recomendamos todas as coleções de partidas anotadas de um grande jogador. Quando é ele mesmo que anota as partidas, então a recomendação fica mais alta ainda."
Até agora, botei um monte de palavras da boca de grandes mestres e autores de livros didáticos de xadrez. E os treinadores, o que pensam eles? Selecionei o depoimento de um dos maiores treinadores do mundo, o soviético Mikhail Shereshevsky. Ele não deixa dúvidas quando escreve:
"É uma verdade trivial: quem deseja prever o futuro deve conhecer bem o passado. Se a transpusermos para a esfera do xadrez, poderemos dizer que um jovem tem chances de criar algo de novo e chegar a ser um grande enxadrista somente se conhecer bem as partidas dos mestres do passado. (...) Não se pode falar de cultura enxadrística se não se conhece as partidas de A. Rubinstein, A. Nimzowitsch, J.R. Capablanca e A. Alekhine. Este elenco poderia ser ampliado várias vezes. (...) Minha experiência de treinador mostra que depois de ter estudado as partidas de Alekhine, a pessoa sobe um degrau mais alto de desenvolvimento. (...) Como enxadrista, Alekhine é genial. Com ele, se pode aprender tudo: o desenvolvimento da iniciativa e a realização de um ataque, a elaboração do plano e a forma de jogar os finais, porém o mais importante é o modo como ele explorava sua vantagem."
Shereshevsky apresenta outra importante justificativa para estudar os clássicos: no começo do século XX, o xadrez posicional era propriedade quase que exclusiva de meia dúzia de jogadores do mais nível. Então, as partidas podiam ser tremendamente desequilibradas. O super-GM elaborava o plano e raramente recebia uma forte oposição porque seu adversário não estava compreendendo o que se passava. Desse modo, as partidas eram mais puras, com o plano claramente delineado e executado:
"Podemos observar o plano de jogo puro, original. (...) Se um dos adversários fosse um GM contemporâneo (...) então não teríamos um quadro tão nítido, porque a oposição teria sido muito maior. (...) Para aprender como se traça um plano de jogo, o estudante deve consultar especialmente a Capablanca e Alekhine."
E como estudar as partidas dos GMs? Shereshevsky recomenda:
"...terminada a abertura, tente adivinhar os movimentos sucessivos de Capablanca até culminar a partida. Procure descrever resumidamente, com suas próprias palavras, o que aconteceu na partida."
Mas será que o estudo "exagerado" (nunca há exagero no estudo!) de um determinado mestre não fará mal? Não estaríamos viciados num certo estilo ou tipo de jogo? A resposta de Shereshevsky é contundente:
"A influência de Capablanca é benigna para qualquer tipo de jogador."

Frases sobre Xadrez

Um comentário:
"Um peão no final, é nove décimos de um corpo."

"Vejo que viajas constantemente. Quando estiveres só, quanto te sentires um estrangeiro no mundo, joga xadrez. Este jogo erguerá teu espírito e será teu conselheiro na guerra." - Aristóteles em uma carta para seu discípulo Alexandre Magno

"A torre da defesa exerce o máximo de resistência, se sua posição é tal que deixa três colunas livres entre ela e o Peão inimigo. A posse desse espaço intermediário constitui a posição correta da Torre defensiva" - Chéron

"Um olho sobre o flanco e a mente no centro é o mais profundo significado do jogo posicional". - Aaron Nimzowitsch

"Os erros estão todos aí... à espera de serem feitos". - Tartakower
"Nada é tão saudável como uma surra no momento oportuno. De poucas partidas ganhas tenho aprendido tanto, quanto da maioria das minhas derrotas". - Capablanca
"Na abertura, um mestre deve jogar como um livro; no meio-jogo, como um mágico; no final, como uma máquina". - Spielmann

"Já se disse que a vida não é suficientemente longa para o xadrez. O defeito é da vida, não do xadrez." - Napier

"Que as guerras e as lutas entre as pessoas,fiquem apenas no tabuleiro de xadrez..." - Mequinho

"Diante do tabuleiro,a mentira e a hipocrisia não sobrevivem por muito tempo. A combinação criadora desmascara a presunção da mentira, os impiedosos fatos, que culminam no mate, contradizem o hipócrita." - Emanuel Lasker

"Na matemática você tem que estar certo e no xadrez você tem que estar mais certo que o adversário."

"Uma posição restringida não deve ser liberada repentinamente, pois no xadrez a liberdade a grandes doses é embriagadora". - Nimzowitsch

"Pode chegar a parecer cômico, porém lhes asseguro que, para mim, o Peão passado tem alma e, como todo homem possui aspirações que dormem dentro dele, em forma desconhecida para si, e temores cuja existência apenas suspeita." - Aaron Nimzowitsch
"Em geral vence a partida quem comete o penúltimo erro. Já que o último causa a derrota." - Anatoly Karpov

"Os computadores tem uma vantagem sobre os humanos: não perdem a concentração ao levantar-se para ir ao banheiro". - Kasparov

"A beleza das jogadas do xadrez não reside na aparência, mas nos pensamentos que estão por trás dele." - Aaron Nimzowitsch

"Não sou chegado a escrever um prefácio, mas neste caso creio ser necessário, porque sendo a questão nova, será um bom começo." - Aaron Nimzowitsch

"Meu novo sistema não surgiu repentinamente, mas sim de forma paulatina e, poderia dizer-se, orgânica. A idéia de analisar cada um dos elementos estratégicos do xadrez nasceu da intuição, mas realmente não seria suficiente, somente se eu dissesse, por exemplo, que as colunas abertas tem que serem ocupadas e aproveitadas e que o peão livre tem que ser detido. O tema exige detalhes. Pode parecer ser cômico, mas lhes asseguro, estimados leitores, que para mim o peão livre tem alma e, de modo semelhante ao homem, possue aspirações que dormem dentro dele, de forma desconhecida, e temores cuja existência somente suspeita. Isto é extensível a cadeia de peões ou a qualquer outro elemento estratégico. Sobre cada um deles darei uma série de leis e regras que vão ao detalhe, e contribuem para esclarecer os movimentos misteriosos e as ações mais comuns que se realizam nas 64 casas do tabuleiro." - Aaron Nimzowitsch

"A Segunda parte do livro trata-se o jogo de posições, com atenção especial ao aspecto neo-romântico. Como muitas vezes se tem dito que sou o pai da citada escola, será interessante saber o que penso sobre ela." - Aaron Nimzowitsch

"Os livros de xadrez são escritos de forma doutrinal crendo-se que a obra perde valor quando se coloca alguns toques humorísticos, na convicção de que o humorismo não adequado a um livro didático. Não compartilho desta opinião a qual considero inteiramente falsa. O verdadeiro humorismo contém muitas vezes mais verdades internas que a seriedade mais sombria. Pessoalmente sou partidário fervoroso dos paralelos cômicos gosto de utilizar os fatos da vida cotidiana para, comparativamente, esclarecer algumas facetas complicadas do xadrez." - Aaron Nimzowitsch

"As vezes construo esquemas para ressaltar a estrutura dos pensamentos. Faço isto por razões pedagógicas e por segurança pessoal, porque senão qualquer critico medíocre que também há - só encontraria detalhes isolados e não o conjunto ramificado que constitui o autentico conteúdo deste livro. Os diferentes temas tratados na primeira parte aparentam ser simples e este é justamente o mérito. Ter reduzido o caos a uma série de regras que guardam entre si uma relação de causas é precisamente o que me orgulha. Muito simples parecem os casos especiais da sétima e oitava linha, mas foi muito difícil achá-los e reduzi-los a cinco. O mesmo se pode dizer das colunas abertas e com maior razão das cadeias de peões." - Aaron Nimzowitsch

"Naturalmente, a medida que se avança, aumenta a dificuldade dado que o livro está estruturado de forma progressiva. De todo modo não utilizei estas dificuldades como escudo para defender-me de críticos superficiais. Supondo também que me atacarão porque cito partidas jogadas pessoalmente, mas também isto não me importa. Não tenho o direito, por acaso, de ilustrar meu sistema com minhas próprias partidas ? Trago também ao conhecimento, algumas partidas de aficionados - bem jogadas - mas não temam, porque não são o que aparentam." - Aaron Nimzowitsch

"Ao publicar este volume o faço com a consciência tranqüila. Minha obra tem defeitos, porque é impossível cobrir todos os ângulos da estratégia, mas estou convencido ter escrito o primeiro livro verdadeiramente didático do xadrez." - Aaron Nimzowitsch

"O xadrez é muita ciência para ser jogo e muito jogo para ser ciência" - Montaigne
"O xadrez é uma ciência" - Leibnitz

"O xadrez é uma luta gostosa de emoções" - Emanuel Lasker

"Os peões são a alma do xadrez" - Philidor

"Xadrez é particularmente formador tanto no plano intelectual quanto no do julgamento"
"A ameaça é mais forte que sua execução" - Aaron Nimzowitsch

"Ganho com as brancas porque jogo com as brancas, e ganho com as pretas porque sou Bogolhubov" - Jefim Bogolhubov

"Deus move o homem e este move a peça "
"Agora sei que para ser campeão do mundo não é necessário ser possuído de talento" - Kortchnoi referindo-se a Botvinink

"Os cavalos estão rindo para mim" - Bobby Fischer em uma partida com Benko
"Vejo nas linhas de seu destino que você perderá seu titulo para um jovem americano" - Fischer falando pra Mikhail Tal

"Posso atestar o respeito que os GM's sempre tinham por Petrossian,nas sessões todos falavam ao mesmo tempo mas quando ele iniciava a palavra todos se calavam pra ouvir, é de se notar que quando o jovem Karpov perdia pra Tigran Petrossian ele virava pra seu adversário e perguntava: "Pode me dizer onde foi que eu errei?" - Yasser Seirawan

"Aqui entra o fator pelo qual a arte enxadrística pode ser considerada a mais trágica de todas as artes, pois o artista de xadrez depende até certo ponto de um elemento que se acha inteiramente fora do seu controle. Este elemento é o adversário, que por falta de atenção, constantemente ameaça destruir uma construção mental perfeita. - Alexander Alekhine

"Se a lógica é uma ciência que se ocupa com as leis do raciocínio, o xadrez é uma arte que reflete o lado lógico do raciocínio numa demonstração concreta, visível."
"Xadrez é vaidade" - Alexander Alekhine

"Xadrez é vida" - Robert (Bobby) Fischer

"Xadrez é um teste de vontades" - Paul Keres

"Xadrez é a primeira de todas as artes" - Mikhail Tal

"Xadrez é uma arte que expressa a beleza da lógica" - Mikhail Botvinnik

"Xadrez é uma arte" - Gary Kasparov

"Xadrez é inegavelmente o mesmo tipo de arte que pintura ou escultura" - José Raul Capablanca y Graupera

"Xadrez é tudo posterior ao peão passado" - S. Tarrasch

"Meu rei gosta de ir a procura de caminhadas" William Steinitz

"A sua única tarefa no início é procurar um jogador capacitado para o Meio jogo." - Portisch
"Xadrez é 99% de tática" - Teichmann

Enxergando com as mãos

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Durante uma partida de xadrez, é proibido tocar as peças enquanto se está pensando (pelo menos em torneios oficiais). Mas, e se os jogadores forem deficientes visuais? Bem, aí temos uma exceção a essa regra. Quem pensa que o xadrez só pode ser praticado por pessoas que conseguem enxergar, está enganado. Uma excelente ferramenta de estímulo ao raciocínio dos deficientes visuais é a prática do xadrez. Há até um tabuleiro especial - onde as casas pretas estão em alto relevo e as peças pretas possuem um pino em cima - que permite ao cego fazer com as mãos o que a falta de visão o impede, ou seja, levar ao cérebro toda a informação necessária para que possa fazer os lances. Eu já tive a oportunidade de jogar de olhos vendados, fazendo uso desse tabuleiro, e posso garantir que o desafio se torna incrivelmente mais difícil. Há, no Paraná, deficientes visuais praticantes de xadrez. O Clube de Xadrez de Curitiba, por exemplo, tem realizado nos últimos anos o Campeonato Municipal para Deficientes Visuais. Já nos Jogos Colegiais encerrados na última quarta, em Campo Mourão, a Escola Municipal Heitor Vila Lobbos, de Colombo, foi representada por 14 atletas impossibilitados de enxergar. Dizer que admiro esses enxadristas é previsível demais. Eu preciso é deixar claro que há poucos professores capacitados a ensinar xadrez para pessoas com necessidades especiais. Acima de tudo, o xadrez prova a cada dia que é possível enxergar com as mãos, que servem de instrumentos leais do esforço e da imaginação.
Fonte: Paraná online

Entenda o cálculo ELO no Xadrez

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Os jogadores de xadrez são classificados por um sistema de rating, assim como o outros jogos, como o tênis por exemplo. Porém o calculo do rating não é direto, ou seja, o seu valor depende de alguns fatores, entre esses fatores estão o rating do seu adversário.
Esse sistema de rating surgiu no fim dos anos 50. Foi quando começaram a colocar em prática vários sistemas baseados em que cada enxadrista recebe um coeficiente individual, o rating (do inglês, qualificação), o qual varia a cada competição, dependendo dos resultados obtidos.
A Federação Internacional de Xadrez (FIDE) em 1970 adotou um sistema de coeficientes elaborado pelo professor norte americano Arpad Elo, daí o nome ELO para o rating. Para se calcular o rating de um jogador usa-se a fórmula:

R = Ra + 10*(Po-Pe)
R: rating atual
Ra: rating anterior
Po: pontos obtidos
Pe: pontos esperados

Se olharmos para a fórmula concluímos que quanto maior for os pontos obtidos, o seu rating irá aumentar proporcionalmente. Caso contrário ele irá diminuir.
Para calcularmos os pontos esperados vamos supor que você irá enfrentar um adversário que possui uma pontuação de rating igual a sua. Nessas condições, teoricamente, o match entre você e seu adversário deve terminar empatado, ou seja, cada um deve obter 50% dos pontos. Porém se o seu rating é superior, você pela lógica deve obter mais de 50% dos pontos. E quanto maior for a diferença maior deverá ser a porcentagem da pontuação. Com base nessa linha de pensamento  criador do sistema elaborou a seguinte tabela:

Dif Sup (%) Inf (%) Dif Sup (%) Inf (%)
0-3 50 50 198-206 76 24
4-10 51 49 207-215 77 23
11-17 52 48 216-225 78 22
18-25 53 47 226-235 79 21
26-32 54 46 236-245 80 20
33-39 55 45 246-256 81 19
40-46 56 44 257-267 82 18
47-53 57 43 268-278 83 17
54-61 58 42 279-290 84 16
62-68 59 41 291-302 85 15
69-76 60 40 303-315 86 14
77-83 61 39 315-328 87 13
84-91 62 38 329-344 88 12
92-98 63 37 345-357 89 11
99-106 64 36 358-374 90 10
107-113 65 35 375-391 91 9
114-115 66 34 392-411 92 8
122-129 67 33 412-432 93 7
130-137 68 32 433-456 94 6
138-145 69 31 457-484 95 5
146-153 70 30 485-517 96 4
154-162 71 29 518-559 97 3
163-170 72 28 560-619 98 2
171-179 73 27 620-735 99 1
180-197 74 26 >735 100 0
189-197 75 25      

Suponhamos que seu rating seja 2400 e que seu primeiro adversário tenha 2300. Calculemos então seus Pontos Esperados (Pe):
2400 – 2300 = 100
Como seu rating é maior do que o do adversário, procuramos na coluna Dif o número 100 e encontramos a porcentagem correspondente na coluna Sup. Encontramos o valor 64, que significa que você deve fazer 64% dos pontos em disputa. Como cada partida tem o valor de 1,0 ponto, temos:
Pe = 0,64*1,0, logo, Pe = 0,64
Vamos considerar os três casos possíveis: vitória, empate e derrota:
Vitória (Po = 1,0) R = 2400 + 10*(1,0 – 0,64) R = 2400 + 10*(0,36) R = 2400 + 3,6  R = 2403,6
Arredondando: R= 2403
Empate (Po = 0,5) Rn = 2400 + 10*(0,50 – 0,64) R = 2400 + 10*( – 0,14) R = 2400 – 1,4 R = 2398,6
Arredondando: R = 2398
Derrota (Po = 0,0) R = 2400 + 10*(0,00 – 0,64) R = 2400 + 10*( – 0,64) R = 2400 – 6,4  = 2393,6
Arredondando: R = 2393

O Autor

 

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