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O rei do tabuleiro

Um comentário:

Patrícia Scofield


Aos 23 anos, o mineiro de Belo Horizonte, Frederico Gazel, já é um grande campeão no esporte que escolheu para atuar: o xadrez. Desde os 14 anos de idade, quando começou a competir, ele coleciona títulos como o de campeão mineiro absoluto de xadrez pensado (2009), campeão brasileiro escolar em Batatais - SP (2004), único campeão mineiro absoluto pela internet (2008) e está no top 100 do ranking brasileiro como o 50º colocado. “Comecei a praticar com colegas de escola e vizinhos, amistosamente. Nunca tive aula, nem mesmo no nível profissional. Considero que sou autodidata”, afirma.


Além de enxadrista - ou competidor profissional -, Frederico é estudante de jornalismo, árbitro de xadrez e, há quase três anos, professor de oficinas extracurriculares desse esporte em um colégio particular da capital. “Como professor, tenho a satisfação muito grande de ensinar algo que aprendi sozinho e de ver os meninos interessados na aula, progredindo”, diz. Os alunos, com idades entre 8 e 18 anos, aprendem a teoria do xadrez e têm tempo para praticar também. Frederico destaca que a atividade aguça o raciocínio lógico, a concentração, a noção espacial e a capacidade dessas crianças de agir preventivamente.


O professor também se dedica aos estudos, em um local especializado de xadrez que funciona como clube, no Bairro Alto Barroca. É lá que Frederico treina - jogando - para testar novas táticas e estratégias, além de pesquisar experiências de jogadores renomados em livros. “Reproduzo a partida deles no tabuleiro, vejo como eles fizeram e se dá certo”, esclarece. O jovem lembra que descobriu o lugar por acaso, nove anos atrás, quando avistou da rua a placa do local, durante uma caminhada no trajeto entre a escola onde cursava o ensino fundamental e a casa dele.


Destaques


Da primeira conquista no xadrez Frederico não se esquece: foi em 2002, quando ele recebeu o título de campeão brasileiro rápido sub-16. Porém, a emoção da vitória costuma ficar contida: “Como o jogo é muito cordial,  quando o competidor ganha, não sai na hora comemorando. Guarda o sentimento de realização consigo e divide a notícia  somente com as pessoas mais próximas, como amigos, pais e namorada”, acrescenta.


Outros destaques do competidor foram vitórias nos campeonatos amistosos, títulos em etapas nacionais, campeonatos de categorias sub-20 e a conquista do terceiro lugar no Campeonato Sul-americano sub-18 (2004). “Estou a 20 pontos de conquistar a graduação de mestre no xadrez”, afirma. De acordo com a Federação Internacional de Xadrez (Fide, sigla em francês), com a participação em competições, os enxadristas podem se tornar mestres, mestres internacionais ou ainda, grandes mestres internacionais, sucessivamente.


Início


O primeiro contato do jovem com o esporte foi durante a infância, aos 9 anos, quando viu o jogo do tio, Sebastiãocilas Pereira, amador no esporte. Desde então, Frederico começou a praticar com os colegas de escola as estratégias que ele desenvolveu a partir da explicação lúdica do tio. Porém, ele fala que a família não imaginava que essas “brincadeiras” poderiam ser os primeiros passos de uma atividade profissional. Isso porque ele já se “aventurou” em outras atividades, por exemplo o futebol de salão e o taekwondo, e mesmo com conquistas em disputas internas dos clubes, largou tais esportes. “Meus pais apoiam e financiam muitas das minhas viagens para competir, mas minha mãe me aconselhou a fazer uma faculdade também”, conta.


Mini-Glossário

Xadrez pensado - formato de competição que estabelece a duração média das disputas de tempo longo, que podem durar de uma até duas horas para para jogador - a depender do campeonato;
Xadrez rápido - modalidade em que cada competidor tem até uma hora para executar todos os movimentos no jogo. Há outra modalidade ainda mais rápida, chamada de blitz, que pode durar de três a 10 minutos;
Xadrez absoluto - tipo de competição em que são permitidos homens e mulheres como jogadores, além de crianças.

Entrevista com Marina Martins de Aguiar

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Marina Martins Aguiar (à direita)
 
Nome: Marina Martins de Aguiar - 11 anos, estudando na 5ª série (6º ano).

Data de nascimento: 25/09/1999

Ranking FMX: 1965

Ranking CBX: 1902

Quais torneios mais marcantes para você?

O FENAC ( Festival nacional da criança ) 2009, por que eu não esperava ficar entre as 3 primeiras.
E o Brasileiro escolar 2009 por que não esperava ganhar além do torneio ter sido muito legal.

Quais seus títulos ou colocações de boa expressão?

• Bi - campeã Brasileira Escolar 2009 e 2010 Invicta! (3ª,4ª serie)
• Campeã Mineira Feminina Absoluta 2010.
• Tri - campeã Mineira Escolar (2ª,3ª,4ª serie)
• Bi - campeã Mineira Pensado (sub10 e sub 12) 2009 e 2010.
• Campeã Mineira Rápido sub 10 2008
• 3ª Lugar Absoluto na Etapa classificatória Mineiro Juruaia 2009.

O que o xadrez e para você?

Um jogo que a gente tem que esquecer do adversário e jogar o que a gente sabe!

Com o que o xadrez te ajuda?

Ele me ajuda em ter algo para fazer divertido, e também me ajuda a desenvolver um pouco de tudo.

Joga xadrez desde quando?

Desde dos 8 anos

Quem te ensinou?

O Professor José A. Nery, na Escola Municipal Doutor Melo Viana

Seu ídolo do Xadrez?

Nery kkk.

O GM Bogoljubow e sua frase:

‘’Quando jogo de Brancas ganho por que tenho a iniciativa, quando jogo de pretas ganho porque sou Bogoljubow‘’

Gosto também do Alekhine, Tarrasch e Kasparov.

Qual sua meta no xadrez?

Sempre jogar xadrez e continuar evoluindo

Em campeonatos temos mais meninos que meninas por que acha que isso acontece?

E porque muitas meninas não tem força de vontade e desanimam fácil

O que você pode fazer para mudar isso?

Não só eu, como também todos podemos e devemos incentivar o xadrez feminino.

Qual seus sonhos no xadrez e fora do xadrez?

Não sei

Qual seu estilo de musica?

MPB
Leo e Bia e Êxtases.

Seus pais jogam ? Eles te apóiam?

Não, mas sempre me apóiam muito no que preciso.

Você tem aulas particulares?

No momento não, mas já tive algumas com o Nery e o Gérson.

Uma abertura?

Gambito Danish

Um Livro?

O Xadrez dos Grandes Mestres

Um enxadrista?

Nery

Uma peça?

Cavalo

Fase do jogo?

Abertura

Pretensão enxadrística?

Sempre jogar xadrez e continuar evoluindo.

Momento inesquecível?

O primeiro torneio fora da minha cidade.

O que tem a dizer sobre as Partidas relâmpagos?

Um momento de diversão, que gosto muito.

Tem alguma coisa a dizer?

Vitor K. tinha razão quando disse: "O xadrez é minha vida".

Entrevista com João Paulo Cassemiro Marques - por Gérson Batista

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"A fórmula do sucesso é foco, pois você precisa saber o que quer; determinação, 
para poder seguir seus objetivos; e continuidade, para que esses objetivos
sejam alcançados. É necessário sempre traçar novas metas..."
 
Como é de praxe, todos os anos desde a criação do Clube de Xadrez On-Line - CXOL fazemos uma entrevista com o novo campeão mineiro absoluto, já que a empresa CXOL tem sua sede em Minas Gerais, mais precisamente em São Sebastião do Paraíso, no sudoeste do estado, divisa com São Paulo.
 
Desta feita nosso entrevistado é nada mais nada menos que o campeão mineiro mais jovem de todos os tempos, batendo os recordes do MF Evandro Amorim Barbosa (campeão com 15 anos, na edição de 2007) e o MI Wellington Carlos Rocha (campeão com 16 anos, na edição de 1988).
 
João Paulo Cassemiro Marques aprendeu xadrez aos seis anos de idade e já nessa época sua mãe, Maria Neuza Cassemiro, o matriculou na Escolinha de Xadrez do Ouro Verde Tênis Clube - conforme foto mais abaixo no texto, onde está junto aos demais alunos do clube.
 
Sempre contando com o apoio da família, onde sua mãe o acompanha em boa parte dos torneios e seu pai, Paulo Marques, cuida da logística das viagens aos campeonatos e também dos patrocínios, João Paulo foi ano a ano amadurecendo seu xadrez e construindo uma carreira vitoriosa.
 
Entre outros assuntos, na entrevista João Paulo fala da conquista do Campeonato Mineiro e de como é feito seu treinamento com seus dois técnicos: o MF Evandro Amorim Barbosa e o MI Rodrigo Disconzi da Silva.
 
Acompanhe então a reportagem com o "menino prodígio", como é carinhosamente tratado pela imprensa esportiva da sua cidade.

Perfil
João Paulo Cassemiro Marques
 
Nome: João Paulo Cassemiro Marques.

Data de nascimento: 23/3/1996.

Cidade natal e residência: São Sebastião do Paraíso/MG.

Série e local em que estuda: 1º ano do ensino médio no Colégio Objetivo NHN.

Rating Fide: 1975 pontos de Elo.
 

Entrevista

Bom, começaremos do começo... De onde vem seu interesse pelo xadrez?
Estava em um evento cultural do Colégio Objetivo NHN e meu irmão estava jogando xadrez. Fui lá vê-lo jogar e achei um jogo muito legal.

Você frequentou a Escolinha de Xadrez do Ouro Verde Tênis Clube (OVTC) dos 6 aos 12 anos de idade. Conte-nos como foi esse período.
Foi um período muito bom, pois lá eu contava com aulas do professor Gérson Peres e ajuda nos estudos de Jeovane Cascais Santos. No começo, como eu era mais novo, só jogava e não estudava muito, porém com o tempo fui percebendo que tinha que estudar também para melhorar cada vez mais meu xadrez.
 

 João Paulo, aos seis anos, na Escolinha
de Xadrez do Ouro Verde Tênis Clube
 
Paralelamente às aulas do OVTC, do 2º ao 5º ano do ensino fundamental você foi aluno do curso de xadrez do Colégio Objetivo NHN, onde estuda até hoje. Acha que essas aulas ajudaram no seu rendimento escolar?
Sim, principalmente nas aulas de matemática, pois eu não era muito bom nesta e, conforme fui jogando xadrez melhorei as notas e também na facilidade com que eu fazia cálculos, resolvia problemas...

Sua família o apoia no xadrez? Se sim, diga em quais aspectos eles auxiliam sua evolução.
Sim, minha mãe sempre me acompanha nos torneios, me ajudando e principalmente me apoiando. Meu pai cuida da logística das viagens e procura patrocínios pra mim.
 
Liste suas principais conquistas nos tabuleiros.
- Campeão do Mineiro Absoluto, de 2010, em Nova Resende/MG
- Campeão das Olímpiadas Sulamericanas Escolares (por tabuleiro), de 2010, em Lima/Peru
- Campeão da etapa classificatória para o Campeonato Mineiro, de 2010, em SSP/MG
- Campeão dos JEBs, de 2010, em Fortaleza/CE
- Campeão da fase estadual do JEMG, de 2010, em Patos de Minas/MG
- Campeão Brasileiro Sub16, de 2010, em Catanduva/SP(ganhando vaga para os campeonatos Panamericano e Mundial Sub16)
- Campeão da fase regional do JEMG, de 2010, em Formiga/MG
- Campeão da fase microrregional do JEMG, de 2010, em Guaxupé/MG
- Campeão Regional Absoluto, de 2010, em Guaxupé/MG
- Vice-campeão Brasileiro Sub14, de 2010, em Santa Maria de Jetibá/ES
- Campeão Mineiro Sub14, de 2010, em Belo Horizonte/MG
- 3º colocado no Campeonato Mineiro Absoluto, de 2009, em Belo Horizonte/MG
- Campeão da Semifinal do Campeonato Mineiro Absoluto, de 2009, em Belo Horizonte/MG
- Vice-campeão Brasileiro Escolar, de 2009, em Araxá/MG
- Campeão Mineiro Sub14, de 2009, em Belo Horizonte/MG
- 3º colocado no Sulamericano Escolar, de 2008, em Montevidéu/Uruguai
- 3º colocado nas Olimpíadas Escolares, de 2008, em Poços de Caldas/MG
- Campeão Brasileiro Escolar, de 2008, em Poços de Caldas/MG
- Campeão Mineiro Sub12, de 2008, em Poços de Caldas/MG
 
Qual a melhor partida da sua carreira?
Uma partida disputada durante o Campeonato Panamericano da Juventude contra o paraguaio Matias Latorre.

Brancas: João Paulo Cassemiro Marques (1900)
Pretas: Matias Latorre (2076)
Festival Panamericano da Juventude - Bento Gonçalves/RS
Defesa Francesa (Variante das Trocas) - [C01]
7ª rodada - 6/8/2010

1.e4 e6 2.d4 d5 3.exd5 exd5 4.Bd3 Bd6 5.Df3 c6 6.Ce2 Ce7 7.Bf4 0-0 8.Cd2 Cg6 9.Bxd6 Dxd6 10.h4 Te8 11.0-0-0 Cf8 12.h5 h6 13.g4 Cbd7 14.g5 hxg5 15.h6 gxh6 16.Cg3 Cb6 17.Dh5 Df6 18.f4 Cc4 19.fxg5 Dxg5 20.Tdg1 Cg6 21.Dxg5 hxg5 22.Ch5 Td8 23.Cf3 g4 24.Cf6+ Rg7 25.Cxg4 Bxg4 26.Txg4 Ce3 27.Tg3 Rf6 28.Ce5 Cc4 29.Cxg6 fxg6 30.Txg6+ Rf7 31.Th7+ Rf8 32.Txb7 Cd6 33.Tc7 Tac8 34.Txd6 1-0

De 4 a 9 de janeiro de 2011 você venceu a Final do Campeonato Mineiro Absoluto, edição 2010. Fale sobre a preparação e dificuldades que encontrou no torneio.
Preparei para o evento com meu treinador, o MF Evandro Barbosa, onde me ajudou bastante nas preparações que foram bem encaixadas no torneio e também contei com o apoio dele via internet no decorrer do campeonato. As dificuldades ocorreram desde a primeira rodada até a última, pois todos os jogadores eram muito bons e estavam muito bem preparados.

Qual foi a melhor partida que jogou na Final do Mineiro?
Contra o MF Juliano Resende, onde a preparação foi bem encaixada, com um meio-jogo bem jogado e um final muito complexo. Foi uma partida muito importante também pelo fator psicológico, já que naquela rodada ele era um dos principais concorrentes ao título. Vídeo da partida com análise do Prof. Lapertosa

Como é ser o campeão mineiro absoluto mais jovem de todos os tempos?

É muito bom porque Minas Gerais sempre contou com fortes jogadores e eu não estava esperando este título, devido ao forte nível dos outros participantes. Este título também demonstra que estou melhorando o meu xadrez, uma vez que na Final do Campeonato Mineiro Absoluto de 2007 fiquei em último lugar com apenas 1 ponto de 11 disputados.

Você tem dois treinadores atualmente: o MF Evandro Amorim Barbosa e o MI Rodrigo Disconzi da Silva. Como é trabalhar com eles?! Você pode nos dizer acerca do seu treinamento?
É muito bom trabalhar com eles, pois são treinadores excelentes e estão me ajudando a melhorar cada vez mais meu xadrez. Com o Evandro trabalho mais o meu repertório e com o Disconzi, foco nos conceitos e meio-jogo.

Tem algum ídolo no xadrez?
Sim, o GM Alexei Shirov, pois gosto muito da maneira agressiva com que ele joga as suas partidas.

O que faz quando não está jogando xadrez?! Quais seus hobbies?
Quando não estou jogando xadrez gosto de ir à academia, ficar no computador e sair com meus amigos.

Quantas vezes viajou para fora do Brasil para tomar parte em campeonatos e quais foram eles?
Viajei para o Uruguai e Peru, para disputar os Jogos Sulamericanos Escolares, de 2008 e 2010, respectivamente, e para a Grécia, em 2010, para jogar o Campeonato Mundial da Juventude de Xadrez.

Se existe alguma fórmula de sucesso no xadrez com certeza você sabe qual é, pois seus resultados têm mostrado muita maturidade enxadrística. Qual o segredo do seu sucesso?
Foco, pois você precisa saber o que quer; determinação, para poder seguir seus objetivos; e continuidade, para que esses objetivos sejam alcançados. É necessário sempre traçar novas metas.

Você teve uma das arrancadas mais brilhantes entre os brasileiros em termos de performance no ranking da Federação Internacional de Xadrez. De último colocado no ranking em 2007 (com 1.530 pontos de Elo) para cerca de 2.050 pontos na próxima lista da Fide - 1º de março de 2011. Uma trajetória impressionante, com média aproximada de 125 pontos ganhos por ano. Que mensagem você poderia passar aos jogadores que saem ou estão com rating Fide baixo?
Que eles nunca devem desistir. Com o tempo você adquire mais experiência e vai melhorando, subindo a força, e consequentemente o rating. No meu caso, fiz meus blocos quando era mais novo e, devido a uma inversão na publicação dos torneios na FIDE que joguei, meu rating saiu 1530. Mas aí fui jogando vários torneios, comecei a treinar mais e adquiri experiência que me ajudou bastante nessa evolução do meu rating FIDE. 


 Variação do rating Fide de João Paulo entre 2007 e 2011
 
Quais seus próximos passos no xadrez? Quer chegar onde?!
Uma grande meta minha no momento é chegar aos 2300 pontos de rating para me tornar MF, mas principalmente melhorar meu xadrez. Se minha força estiver no nível de 2300, meu rating chegará lá.

Livro ou computador, qual prefere para estudar xadrez?
Prefiro livros porque quando estou no computador fico fazendo outras coisas e não consigo me concentrador direito. Já, quando estou estudando pelos livros me concentro bem e trabalho para melhorar meu jogo. Gosto de usar o computador para revisar algumas linhas de abertura e jogar pela internet.

Você tem patrocinador?
Sim. Conto com o apoio do Sesi-Acissp (através do Dr. Ailton Sillos), Prefeitura Municipal de São Sebastião do Paraíso (através do secretário de esportes Mariano Bícego) e do Colégio Objetivo NHN.

Espaço para agradecimentos e/ou considerações finais.
Gostaria de agradecer ao apoio dos meus pais; ao Gérson Peres Batista, que foi meu primeiro professor e me ajudou bastante no início da minha trajetória e até hoje vem me ajudando; e aos meus atuais técnicos MF Evandro Barbosa e MI Rodrigo Disconzi, que estão me ajudando cada vez mais a melhorar meu nível enxadrístico.
 

Entrevista com Ramyres Santana Coelho - por Gérson Batista

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"Você precisa se esforçar para conseguir notas boas na escola e aprender. Não só porque joga
xadrez terá um rendimento bom. Você também tem que estudar não só na escola,
não só um dia antes das provas e sim todos os dias..."
 
Nossa entrevistada - Ramyres Santana Coelho - tem apenas 12 anos de idade e já conseguiu grandes feitos nos tabuleiros, colecionando inúmeros títulos.
 
Ela já viajou por vários estados brasileiros mostrando seu talento e, inclusive, em cinco oportunidades disputou eventos em outros países.
 
Seu pai é árbitro da CBX, seu irmão tem rating Fide e sua mãe uma simpatizante da modalidade e sua grande incentivadora.
 
Muito focada nos treinamentos com seus professores e também no estudo de material de apoio às aulas, Ramyres consegue unir o importante binômio talento-trabalho.
 
O talento sem trabalho se perde e Ramyres tem aproveitado como poucos sua habilidade enxadrística natural e ainda o treinamento de alto rendimento que sua família lhe proporciona, com excelente aproveitamento em todas as atividades.
 
Esta dedicação e força de vontade em elevar seu nível técnico estão surtindo grandes efeitos práticos, sendo coroados com merecidos títulos.
 
Disciplinada e excelente aluna do Colégio Diocesano Dom Bosco de Petrolina/PE, sua cidade natal, é destaque também na Cultura Inglesa, onde aperfeiçoa a língua inglesa para melhor aproveitar as viagens internacionais e facilitar o estudo dos livros e softwares de xadrez.
 
Nossos votos de continuado sucesso no xadrez à nossa entrevistada. Que venham mais e mais títulos em 2011!
 
Bom, feita a apresentação da "pequena notável" eis agora a entrevista...
 
Perfil

Ramyres Santana CoelhoNome completo: Ramyres Santana Coelho.

Data de nascimento: 24/3/1998.

Pais: Raimundo de Amorim Coelho e Maria das Graças Nunes de Santana Coelho.

Irmão: Ronielly Santana Coelho.

Cidade natal/residência: Petrolina - Pernambuco.

Local onde estuda: Colégio Diocesano Dom Bosco.

Escolaridade: 8º ano/ 7ª série.

Rating Fide: 1736 pontos.

Entrevista

Quando foi que se interessou pelo xadrez e o que a motivou?
Quando eu tinha 6 anos, na escola onde eu estudava na época (Colégio Professor Simão) ia começar aulas de xadrez. Meu irmão e eu interessamos em aprender e jogar. O primeiro torneio que joguei na categoria sub 9 (e eu tinha 6 anos) eu fiquei em 1º lugar. Então comecei a me empolgar mais.

Como é o xadrez em Petrolina/PE, cidade onde você mora. Há xadrez escolar e muitos torneios?
Frequentemente estamos jogando xadrez aqui. A quantidade de torneios varia muito, dependendo do mês chegamos a jogar  3 torneios e em alguns meses não há nenhum. Quase todas as escolas de Petrolina estão se interessando em adicionar xadrez no currículo escolar incentivando cada vez mais o esporte.

Fale sobre seu blog pessoal.
Gosto muito do meu blog (http://ramyrescoelho.blogspot.com). Lá posso divulgar o xadrez, passar as minhas experiências nas viagens que faço pelo Brasil e também no exterior. Estou sempre atualizando as informações para os leitores.

Melhor partida que jogou até hoje.
Até hoje eu não tenho a melhor partida. Mas tenho a que gosto mais, que foi contra Agatha Hurba de São Paulo no Pan-americano 2010 ocorrido em Bento Gonçalves/RS. Eu já vinha de uma derrota contra ela no mesmo ano, no Fenac, quando reencontrarmos de novo eu consegui fazer uma bela partida realizando golpes táticos e estratégicos.

Principais títulos.
Fui campeã em 2010 das Olimpíadas Brasileiras Escolares em Fortaleza/CE, um título muito importante. Não posso deixar de falar dos títulos que ganhei em 2007, pois depois deles levei mais a sério o xadrez. Foram eles: campeã brasileira escolar, campeã pan-americana escolar e campeã nordestina escolar - os três títulos em 2007!

Conte das participações em eventos fora do Brasil.
Participei já de cinco torneios fora do Brasil: dois na Argentina, um no Peru, um no Vietnã e um na Grécia; todos muito bem organizados, com níveis altíssimos de enxadristas fortes. Em todos esses torneios pude trazer muita experiência para usar aqui no Brasil, além de fazer muitas amizades. O que também há de bom nessas viagens é a possibilidade de visitar outros países, conhecer lugares lindos e também várias outras culturas.


Jogos Sul-americanos Escolares em Lima, no Peru, edição de 2010
Da esquerda para a direita: Brizzi Milagros (ARG), Laura Munoz (COL), Paula Rodriguez (COL), Luisa Vital 
(BRA), Ramyres Coelho (BRA), Francisca Osorio (CHI), Karen Centuriòn (ARG) e Paula Bustamedes (PER)

Como foi vencer as Olimpíadas Escolares com 12 anos de idade, já em sua primeira participação?
Muito emocionante conseguir este importante título com apenas 12 anos, já que é a idade mínima permitida para participar do torneio. Sabendo eu, que tinhas várias meninas com idade acima da minha e que todas estavam ali para vencer, vi que era um torneio muito forte mas consegui de forma invicta ganhar as Olimpíadas.

Você vem de uma família de enxadristas, onde seu pai é árbitro da CBX e seu irmão tem rating Fide. Isso facilitou seu progresso no xadrez?
Todos da família entraram no xadrez praticamente juntos. Meu pai (Raimundo) sabia muito pouco de xadrez e eu e meu irmão (Ronielly) aprendemos juntos. Depois fomos todos pegando gosto pela coisa e hoje é o que é. Meu pai é arbitro, isso me ajuda de certa forma; meu irmão tem um bom jogo e também me ajuda bastante; fora esses dois ainda existe minha mãe (Maria das Graças) que mesmo não sabendo muita coisa de xadrez é a que mais se empolga em torneios e sempre me passa boas energias.

Há quanto tempo faz inglês na Cultura Inglesa? Creio que lhe ajuda bastante a ler livros de xadrez em língua inglesa e também nas viagens, não é mesmo?
Faço há dois anos. Sim, me ajuda muito para fazer amizades com as meninas estrangeiras, poder dar uma olhada nos livros em inglês, além de conseguir usar programas e sites de xadrez. O que me ajuda mais são nas viagens para fora do Brasil.

A escola em que estuda apoia você no xadrez?
Claro que sim. Hoje estudo nela graças a uma bolsa integral dada pela diretora, Profª. Teresinha, além de sempre estar ajudando em tudo na medida do possível.

Acha que pelo fato de jogar xadrez seu rendimento escolar é potencializado?
Acredito que ajuda. Você precisa se esforçar para conseguir notas boas na escola e aprender. Não só porque joga xadrez terá um rendimento bom. Você também tem que estudar não só na escola, não só um dia antes das provas e sim todos os dias.

Tem ídolos no xadrez (ou fora dele)?
Admiro muito o GM Carlsen e me espelho na GM Judit Polgar. E, aqui no Brasil, gosto do jogo do GM Giovanni Vescovi, GM Rafael Leitão, entre outros.

Quais seus próximos passos na modalidade? Onde quer chegar?!
Na vida tudo vem passo a passo. Acho que me tornar WMF é o primeiro passo para o que eu mais quero e também chegar ao topo do ranking feminino brasileiro ajudará. Mas, meu verdadeiro objetivo é chegar a ser umas das primeiras WGMs do Brasil.

Poderia indicar alguns livros, softwares ou sites que lhe ajudaram a melhorar seu xadrez?
Como livros, indico a coleção Xadrez Vitorioso - Yasser Seraiwan. Site o Chess Games (http://www.chessgames.com). Ajuda muito como enxadrista tanto os livros do Seraiwan quanto o site, onde vejo partidas de grande mestres.

Como é seu ritmo de estudo e prática do xadrez? Poderia nos dizer sobre seu treinamento?!
Estudo em torno de duas horas por dia em livros, apostilas, exercícios e partidas no ICC (http://www.chessclub.com) e JaqueMate (http://www.jaquemate.org). Meu treinamento é feito da seguinte forma: duas vezes na semana treino com meu professor e amigo Gérson Peres e agora em fevereiro começarei a treinar duas horas por semana com um GM. Espero que esse ano estes treinamentos me rendam bons frutos.

O que a Ramyres gosta de fazer quanto não está lidando com as coisas do xadrez?
Gosto de sair com as amigas, praticar outros esportes por diversão, acessar a internet, ler livros estimulantes de outros competidores para me animar mais.

Pergunta destinada a agradecimentos ou observações.
Quero agradecer primeiramente a Deus por estar me dando esse dom divino que é jogar xadrez, aos meus pais que sempre me acompanham e se dedicam a mim, ao meu irmão que sempre está me dando força e me estimulando, a todos da minha família que torce por mim. Ao Prof. e amigo Gérson Peres que me deu essa oportunidade e me auxilia, aos professores Agnaldo Melo e Euclides Marques pelo que já fizeram por mim, sempre aqueles que me apóiam e me seguem: HGU saúde, Cultura Inglesa, Colégio Dom Bosco e a todos meus amigos.
 

CÁLCULO – PARTE 2

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CÁLCULO – PARTE 2


Como comentei no artigo anterior para realizarmos uma combinação é necessário ter conhecimento dos temas tático,então a melhor maneira de melhorar essa visão combinatória é estudando profundamente tais temas.
Neste segunda artigo vou tratar de um tema tático muito comum “ A CRAVADA”.
Quando uma peça ou um peão estão cravados se paraliza sua atividade.Não podem se mexer sob pena de deixar exposta uma peça com valor maior do que a que serve de cobertura.Se essa peça é o rei se trata de uma cravada absoluta e em caso contrário de uma cravada simples.
É muito importante entender que no primeiro caso a paralização da peça é total e no segundo essa peça pode criar contra-jogo.



Vamos agora para um exemplo:









Para deixar sem defesa a dama inimiga,as brancas sacrificam uma torre para atrair o rei negro para d8 assim deixando o cavao cravado.

Agora para todos praticarem um pouco de calculo e aprofundar um pouco nesse tema tático segue alguns testes:


pretas jogam e ganham



brancas jogam e ganham



brancas jogam e ganham.




brancas jogam e empatam

CÁLCULO - PARTE I

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CÁLCULO - PARTE I


Em toda combinação existe um "tema", o motivo para realizar a combinação e a "idéia"que é o projeto combinativo.
Então quando você estiver calculando a combinação não se contente em olhar apenas para a combinação, mas também para os fatores posicionais que determinam as condições para que ela seja realizada.
Isso ajuda a encontrar com rapidez a idéia combinatória, assimilar profundamente e recordar a idéia da combinação.
Para melhorar a visão combinatória é necessário sempre fazer exercícios de tática para conhecer mais temas, assim quando bater o olho em uma posição já encontrar o tema da combinação.


Por exemplo:
Na posição do diagrama 1







Muitos dos leitores quando bater o olho na posição já vão reconhecer o tema tático, por que isso acontece?
Em algum momento eles viram a posição do seguinte diagrama 2,ou semelhante e com isso conseguem realizar tal combinação.


Então vendo esse segundo diagrama conseguimos facilmente encontrar a resposta para a primeira combinação:

1.Bd5! Cb7 2.Db8! Txb8 3.Txa7! Bxa7 4.Cc7++

O que quero explicar com isso é que qualquer jogador é capaz de ter uma boa visão tática basta se esforçar fazendo exercícios direcionados e estudar os temas táticos.

Segue então alguns testes com temas e níveis diversos para que vocês possam treinar um pouco de calcúlo.


OBS:EM TODOS OS TESTES JOGAM BRANCAS E GANHAM.











Entrevista com Luiz Roberto da Costa Júnior - por Gérson Batista

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Luiz Roberto da Costa Júnior fala sobre Casablanca, sobre os livros
de xadrez, os trabalhos acadêmicos e os projetos futuros

Luiz Roberto da Costa Júnior Luiz Roberto da Costa Júnior é Bacharel em Comunicação Social pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) e Bacharel em Ciências Sociais e Mestre em Ciência Política pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade de Campinas (Unicamp). Apaixonado pelo filme Casablanca. É seu primeiro livro sobre cinema.

Casablanca: Política, História e Semiótica no Cinema

Em 1997, escrevi um texto em homenagem ao Humphrey Bogart (nos 40 anos de sua morte) sobre a posição no tabuleiro de xadrez no filme Casablanca. Em 2007, nos 50 anos da morte dele, eu reescrevi o texto para o Clube de Xadrez Online. No mesmo ano, localizei um texto de semiótica do Umberto Eco sobre o filme Casablanca. A ideia do livro, que eu escrevi em 2009, foi trabalhar as diversas interpretações do filme e, para isso, reescrevi novamente agora como capítulo (A Defesa Francesa no tabuleiro de xadrez), assim como resolvi aproveitar a minha formação em comunicação e ciência política para escrever um capítulo sobre a propaganda anti-nazista. O texto de semiótica do Umberto Eco também foi aproveitado e transformado em um capítulo. O número 22 da roleta (cena do cassino no filme Casablanca) virou um capítulo onde é analisada a numerologia e as cartas de tarot. Finalmente, achei que um capítulo do ponto de vista feminino completaria muito bem a parte da análise do filme Casablanca.

A primeira parte do livro Casablanca: Política, História e Semiótica no Cinema explica a contextualização política-histórica da época da rodagem do filme e descreve a trajetória dos atores e das atrizes que participaram do filme. Na segunda parte do livro estão as diversas interpretações para o filme e, na terceira parte, a conclusão assim como os motivos da permanência do filme em nossa memória. Blog: http://lrcostajr.blog.uol.com.br e Twitter: http://twitter.com/lrcostajr

A versão em espanhol do livro Casablanca: Política, Historia y Semiótica en el Cine foi publicada em 02/02/2011 em Buenos Aires. http://www.elaleph.com/libro/Casablanca-Politica-historia-y-semiotica-en-el-cine-de-Luiz-Roberto-Da-Costa-Jr/274232

A Arte da Análise: A Importância da Investigação no Xadrez

Este livro surgiu de um material de análise que fui juntando ao longo dos anos e concluí que havia motivos suficientes para escrever o livro, isto é, para mostrar: a mudança do xadrez clássico para o xadrez moderno, a influência dos softwares na análise e a rapidez para busca de partidas em bancos de dados, assim como a importância das próprias análises e das próprias avaliações sobre as variantes para progredir no xadrez.


O Sacrifício de Duas Torres no Xadrez

O trabalho de Seirawan no livro Take my Rooks foi muito importante na década de 1990. Achei interessante retrabalhar todo o material e reanalisar as partidas para aprofundar o tema do sacrifício de duas torres. O tema estimula a imaginação e ajuda a treinar o cálculo de variantes.


Paul Morphy: A Genialidade no Xadrez

Este livro, que foi concluído em meados de 2010, mostra o exemplo da influência do ambiente familiar que estimulou a genialidade de Morphy para o xadrez. De maneira resumida, mostro a trajetória do jogador e analiso as mais importantes partidas para destacar a importância do desenvolvimento das peças na abertura, o sacrifício de material para ganhos de tempo, assim como a colocação de peças em posições ativas.

64 Partidas Magistrais do Xadrez Clássico

Este livro, que foi concluído no final de 2010, é uma homenagem ao xadrez do século XIX e início do século XX, onde partidas históricas muito importantes são analisadas para destacar temas relevantes e que permanecem atuais no xadrez. Sempre gostei do xadrez clássico e foi um prazer revisitar as partidas que estão na minha memória há muitos anos.

Trilogia Mequinho
Henrique Mecking: Vencedor dos Interzonais e Participante dos Torneios de Candidatos
Henrique Mecking: Campeão Brasileiro e Estrela Internacional do Xadrez
Henrique Mecking: A Volta do Mito do Xadrez Brasileiro



Estou atualmente trabalhando na Trilogia Mequinho. Já concluí o livro Henrique Mecking: Vencedor dos Interzonais e Participante dos Torneios de Candidatos onde descrevo os Interzonais de 1973 e 1976 e os Torneios de Candidatos de 1974 e 1977. Todas as 61 partidas estão analisadas. Espero que o livro cause grande impacto e polêmica, pois caberá ao leitor estabelecer seu juízo tanto sobre o jogador Henrique Mecking como sobre o analista Luiz Roberto da Costa Jr.

O livro Henrique Mecking: Campeão Brasileiro e Estrela Internacional do Xadrez ainda está em andamento e trata da trajetória de Mecking como campeão brasileiro, campeão sul-americano, mestre internacional e grande mestre internacional.

O livro Henrique Mecking: A Volta do Mito do Xadrez Brasileiro ainda está na fase de planejamento e vai tratar do período de 1991 até 2012 (quando Mequinho completa 60 anos em janeiro próximo).

Trabalhos Acadêmicos

Resolvi divulgar minha dissertação de mestrado e alguns ensaios que escrevi quando estava na Unicamp. Todos os trabalhos acadêmicos relevantes estão disponíveis na página da BOOKESS: http://www.bookess.com/profile/lrcostajr

Projetos Futuros

Penso em fazer projetos em co-autoria. Um dos projetos individuais que posso revelar é que penso escrever sobre finais de torres, por causa da carência de material em português sobre este tipo de final que eu sempre gostei de jogar e de estudar. Preciso amadurecer a ideia e ampliar o material para escrever numa linguagem agradável e de fácil leitura para o público brasileiro. Espero que tenham gostado do texto Um lance para a Imortalidade que provavelmente será reaproveitado para o livro ainda sem título definido.
 

Entrevista com Ricardo Oliveira - por Gérson Batista

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"Na verdade meu foco atualmente é escolar. Procuro tratar com muito carinho o assunto. Acompanhei
nestes últimos anos vários jogadores e existe qualidade técnica em todos os cantos do Brasil..."
 
Nosso entrevistado é um expert não só dos tabuleiros, mas também dos tatames!
 
Ricardo Rogério de Oliveira, de Ribeirão Preto/SP, é enxadrista e judoca.
 
Com o judô ele já viajou ao exterior para disputar campeonatos e é autor de livro da área, onde conta sua história e transmiste conhecimentos da arte. Como professor já formou atletas de nível nacional e internacional.
 
Já no campo enxadrístico é polivalente, militando como jogador, professor, árbitro e organizador.
 
Como o leitor verá logo abaixo na entrevista, o Prof. Ricardo Oliveira hoje é responsável pela formação de atletas de sucesso no xadrez e tem se mostrado um exímio organizador de eventos, com destaque para o elogiado Circuito SESC de Xadrez que dirigiu em 2010 e que neste mês de março começa sua 2ª edição, agora ampliado, em caráter regional.
 
Torcemos para que o xadrez receba mais pessoas do gabarito do Prof. Ricardo, que fazem muito bem para o crescimento da modalidade. 
 
Perfil
Ricardo Rogério de Oliveira

Nome completo: Ricardo Rogério de Oliveira.

Cidade natal/residência: Ribeirão Preto/SP.

Formação: Licenciatura Plena em Educação Física - Unaerp 1999.

Local onde trabalha/trabalhou: Liceu Contemporâneo, FAAP e Sistema COC de Educação.

Blog: http://rricardooliveira.wordpress.com

Entrevista

Você se destacou no esporte como judoca e depois como professor também desta modalidade - inclusive como livro publicado sobre o tema. Quando surgiu o interesse pelo xadrez?

Quando eu era bem pequeno eu frequentava um clube da cidade e havia pessoas com jogos de tabuleiro e cartas, eu ficava sentado observando estes jogadores, em determinado momento resolvi que gostaria de jogar e tentar aprender mais sobre o xadrez.

Que tipo de experiência transferiu dos tatames para os tabuleiros?

Como eu jogava somente com adultos muitas vezes perdia os jogos, mas para quem gosta de esporte o ganhar e perder somente era parte do processo de aprendizagem. Os grandes ensinamentos foram ter paciência, persistência, controle emocional, pensar em consequências, defesa e ataque.

Hoje você é professor de judô e de xadrez. Em que locais exerce essas atividades?

Atualmente ministro aulas para 215 judocas e tenho mais 14 aulas de ensino para o xadrez escolar, e um projeto social da Pedra Agroindustrial em parceria com a Secretária da Educação de Serrana/SP que atende atualmente 600 crianças na escola Maria Celina Walter de Assis, mas temos como próximo passo atender todas as escolas de Serrana. Para isso conto com professores da rede que são muito importantes para o projeto dar certo.
Estou iniciando também um trabalho na FAAP, com alunos do ensino médio.

Como é encarado o xadrez no COC o no Liceu Contemporâneo em Ribeirão Preto/SP, locais em que você ministrou/ministra aulas da modalidade? Trabalham com o xadrez pedagógico e também com o competitivo?!

Sim, temos aulas de massificação, preparamos novos talentos com muito trabalho e motivação, oferecemos treinamento de base solida e após os alunos tomarem gosto, muitos deles começam a treinar regularmente. E, para completar seus treinamentos alguns contratam aulas particulares com grandes mestres que temos no Brasil.

Em 2010 você organizou em parceria com a Unidade do SESC Ribeirão o Circuito SESC de Xadrez. Faça por favor um apanhado do evento: formato, objetivos, repercussão, etc.

O Circuito SESC foi o impulso que a região precisava para preparar novas promessas do esporte, pois sem ter que se locomover muito temos onde testar o processo de ensino-aprendizagem. Com rating e critérios de pontuação próprios pudemos emparceirar melhor os jogadores para as etapas. Os objetivos iniciais eram promover a prática regular de xadrez somente para a região, mas tivemos o prazer de receber convidados de outras regiões, jogadores que viajavam mais de 8 horas somente para jogar o torneio e isso foi muito importante para continuarmos no caminho. Tivemos contra-tempos também, que são importantes na busca da melhora para eventos futuros, pudemos dividir conhecimentos com crianças que não tinham contato com o xadrez. O maior desafio foi realizar as etapas em locais diferentes, onde tínhamos que pensar em toda a estrutura. Mas acredito ser importante que os jogadores disputem em vários ginásios diferentes, assim o formato de Circuito tornou-se atrativo e o grande retorno que tivemos foi ver jogadores do sub8 e veteranos jogando e presentes em todas as etapas. Esperamos que mais pessoas estejam sabendo do evento e aguardamos novos jogadores para a próxima edição.

E para 2011, haverá a segunda edição do Circuito SESC de Xadrez?! Se sim, como será o perfil da competição?

Sim, fomos questionados por jogadores quando começam as etapas de 2011. Isso é muito importante, pois o evento torna-se tradicional e aguardado. Reavaliamos situações e fizemos alguns ajustes para que o torneio fique mais atrativo.
Teremos 4 etapas regionais no primeiro semestre, válido pelo Circuito com datas agendadas para os dias 20 de março na cidade de Altinópolis, 10 de abril em Barrinha, 22 de maio em Batatais, com encerramento no SESC Ribeirão dia 19 de junho, data do aniversário da cidade de Ribeirão Preto. Teremos torneios mais curtos prevendo assim um equilíbrio ainda maior entre os jogadores. Manteremos o ritmo de jogo (21’) e aumentaremos a quantidade de categorias em disputa. Temos um quadro de organização e arbitragem mais homogêneo no momento, e o público mais acostumado com o ritmo das etapas.

Como está o xadrez de Ribeirão Preto. Tem surgido novos talentos e sendo realizado torneios? Você pode citar alguns enxadristas de destaque?

Em continuidade, no segundo semestre teremos a implantação do I Circuito Regional do Café de Xadrez, previsto para 21 de agosto, 18 de setembro, 23 de outubro, finalizando em 20 de novembro; e também o Torneio CEFER/USP de Xadrez previsto para 28 de agosto.
Temos objetivos futuros: realizar um Aberto do Brasil, Campeonato Paulista de Federação, Torneios Pensados, quem sabe um dia eventos internacionais... Assim muitos talentos devem aparecer. Gostaria de citar todos os jogadores da região, mas como me pediu alguns vou citar na minha opinião o nível de comprometimento dos participantes podemos verificar a força de vários jogadores de várias categorias como: Daphne Jardim, Igor Lorenzon, Leonardo Gardim, Felipe Takata, Thiago Alves, Alberto Bonvini, Marina Campelo, João Victor Rodrigues, Adriana Bonvini, Renan Brandão, Leonardo da Silva, Mauricio Ribeiro, Lucas Turci, Rebeca Lot, Andrezza Cajueiro, Larissa Alves, Willi Rocha, Lucas Campelo, Lucas Craveiro, Emanuel dos Santos entre outros que devem fazer o nível elevar para 2011.

Quais suas conquistas no xadrez como técnico?

Campeão Brasileiro Escolar em Araxá. Em oficiais da Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo conquistamos o Bicampeonato Paulista por Equipes 2009-2010 em Jaboticabal e Atibaia. Títulos brasileiros e paulistas individuais. Fizemos a final nacional das Olimpíadas Escolares (JEBs) em Maringá 2009, terceiro colocado no paulista por equipes mirim feminino em Presidente Prudente, além de títulos diversos em nível regional, com equipes masculinas e femininas. Em 2010 fomos bicampeões e vice na categoria mirim entre uma escola que trabalho e outra que trabalhei e na categoria infantil ganhamos nos Jogos da Primavera, o principal torneio da cidade de Ribeirão Preto e alguns IRTs, Copa SEESP e Circuito SESC.

Como tem visto o xadrez no Brasil, em especial o escolar?

Na verdade meu foco atualmente é escolar. Procuro tratar com muito carinho o assunto. Acompanhei nestes últimos anos vários jogadores e existe qualidade técnica em todos os cantos do Brasil. Espero ver mais crianças jogando xadrez, assim teremos melhores jogadores. O nacional está cada vez mais forte, mais professores procurando conhecimentos e intercâmbios. Ainda precisamos ter mais incentivo, pois sabemos a dificuldade de muitos para participar de torneios de âmbito nacional por conta do tamanho de nosso país.

Espaço para agradecimentos e/ou observações.

Gostaria de agradecer aos mestres brasileiros por dividirem seus conhecimentos, os responsáveis por sites que transmitem conhecimentos enxadrísticos pela internet, parabenizar o professor Gérson Peres pelo trabalho realizado em prol do xadrez e a divulgação da maioria dos eventos nacionais de forma gratuita no site do Clube de Xadrez On-Line. Considero o site uma ferramenta importante para a comunidade enxadrística brasileira. Um agradecimento especial ao Professor Marcelo Hirono que apoiou o processo de início do Circuito e todos os envolvidos direta ou indiretamente com o Circuito. Aos professores da escola Maria Celina que estiveram durante todo o tempo torcendo, colaborando e ministrando aulas para o projeto. E claro, aos meus alunos que se esforçam sempre e a família Jardim que deu um grande apoio.

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O Autor

 

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