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Grandes Jogadores de Xadrez

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Mikhail Tal


Mikhail Tal
Nome CompletoMikhail Nekhemievich Tal
PaísLetónia Letônia / União Soviética União Soviética
Nascimento9 de Novembro de 1936
Riga, Letônia
Falecimento28 de Junho de 1992
Moscou, Rússia

Campeão Mundial1960-1961
Mikhail Nekhemievich Tal
Mikhail Nekhemievich Tal (Russo: Михаил Нехемиевич Тал e em letão: Mihails Tāls) foi um enxadrista soviético conhecido pelo seu estilo agressivo de jogo e o oitavo campeão do Mundo de Xadrez.
Conhecido como "O Mago de Riga", Tal pode ser considerado como um clássico jogador de ataque, com um jogo extremamente poderoso e cheio de recursos. A sua forma de encarar o tabuleiro era bastante pragmática a este respeito, ele é um dos herdeiros do ex-campeão mundial Emanuel Lasker, pois não hesitava em sacrificar material de forma a conquistar a iniciativa (que em xadrez se define como a capacidade de fazer ameaças a que o oponente deve responder) do jogo. O seu primeiro e mais influente treinador foi Alexander Koblentz.
O estilo de jogo de Mikhail Tal foi reduzido, pelo também ex-Campeão Mundial Vasily Smyslov, a um conjunto de “truques”, contudo Tal bateu convincentemente todos os GMs recorrendo a sua habitual agressividade (Viktor Korchnoi é um dos poucos com um registro assinalavelmente positivo nos confrontos com Tal). Os sacrifícios intuitivos a que Mikhail Tal recorria criavam fortes complicações, parecendo mesmo impossíveis de resolver a muitos mestres os problemas que Tal criava no tabuleiro, embora análises pós-jogo mais profundas encontrassem falhas nos seus raciocínios.
Acima de tudo Tal amava o jogo em si mesmo e considerava que o “Xadrez, antes de tudo, é Arte.” Era capaz de jogar numerosos jogos blitz contra desconhecidos ou jogadores relativamente fracos apenas pelo prazer de jogar!
O domínio de Mikhail Tal sobre Bobby Fischer nos seus primeiros anos ajudou a sua subida ao topo. Em 1960, com 24 anos de idade, Tal derrotou o estratégico Mikhail Botvinnik num match decidindo o Campeonato do Mundo, fazendo-o o mais jovem campeão do mundo até então (um recorde posteriormente batido por Garry Kasparov, que arrebatou o título aos 22). Em 1961, Botvinnik ganhou o match de desforra contra Tal, após um demorado estudo do estilo do adversário. Os problemas crônicos de rins que atormentavam Mikhail Tal podem também ter contribuído para a sua derrota.
Um dos grandes feitos da fase mais tardia da carreira de Tal foi, em 1979, a igualdade no primeiro lugar com Anatoly Karpov no “Torneio das Estrelas” em Montreal – onde teve partidas soberbas contra os mais fortes grandmasters da época.
Dos atuais jogadores de topo, o letão naturalizado espanhol Alexei Shirov é provavelmente o mais influenciado, ou inspirado, pelo estilo pleno de sacrifícios de Mikhail Tal. De fato, na sua juventude ele estudou com Tal. Muitos outros mestres e grandmasters letonianos, por exemplo Alexander Shabalov e Alvis Vitolins, têm jogado de forma similar, fazendo alguns falarem de uma “Escola Letã de Xadrez”.
 

Grandes Jogadores de Xadrez

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José Raúl Capablanca


Capablanca jogando com seu pai, em 1892
Capablanca jogando com seu pai, em 1892
Nome CompletoJosé Raúl Capablanca y Graupera
País Cuba
Nascimento19 de Novembro de 1888
Havana, Cuba
Falecimento8 de Março de 1942
Nova Iorque, Estados Unidos
Campeão Mundial1921-1927
José Raúl Capablanca y Graupera foi um enxadrista cubano detentor do título de campeão do mundo da modalidade entre 1921 e 1927.

Carreira

Juventude

Capablanca é referido por vários historiadores da modalidade como o Mozart do xadrez, uma vez que o seu brilhantismo desde cedo se evidenciou.
Aos quatro anos teria aprendido as regras do xadrez simplesmente observando o seu pai jogando. Conta-se que Capablanca teria visto o seu pai fazer uma jogada ilegal com o cavalo, acusando-o de fazer batota e seguidamente explicando-lhe o que teria feito.
Com doze anos de idade Capablanca derrotou o campeão de Cuba, Juan Corzo, obtendo o resultado de 4 vitórias, 2 derrotas e 6 empates.

Ascensão

Em 1909, aos vinte anos, Capablanca venceu o campeão dos Estados Unidos, Frank Marshall, uma vitória avassaladora com o resultado de oito vitórias, uma derrota e catorze empates. Note-se que Marshall era um jogador com qualidade suficiente para ter disputado um match pelo título de campeão do mundo apenas dois anos antes.
Capablanca jogando com seu pai, em 1892
Capablanca jogando uma partida de xadrez com seu pai aos quatro anos de idade, em 1892.
Em 1911, persuadido por Marshall, Capablanca jogou o torneio de São Sebastião, Espanha, um dos mais importantes torneios do mundo na época, veja-se que dentre os jogadores de topo da época apenas o campeão do mundo, Emanuel Lasker, não estava presente. Ossip Bernstein e Aaron Nimzowitsch discordaram da presença de Capablanca por este ainda não ter vencido um torneio de relevo, a resposta de Capablanca foi vencer a primeira rodada contra Bernstein, tendo este jogo conquistado o prêmio de brilhantismo. Após isto, Bernstein ganhou um novo respeito por Capablanca e afirmou que não seria surpresa para ele se Capablanca viesse a ganhar o torneio. O jovem cubano levou facilmente de vencida Nimzowitsch em alguns jogos blitz que disputaram. Os mestres reconheceram que não havia quem levasse a melhor a Capablanca nas variantes rápidas do jogo. Capablanca venceu ainda Nimzowitsch naquele que foi considerado o jogo do torneio.
Capablanca surpreendeu o mundo do xadrez ao vencer o torneio com seis vitórias, uma derrota e sete empates, superando Akiba Rubinstein, Carl Schlechter e Siegbert Tarrasch.
Em 1911 Capablanca desafiou Lasker para disputarem o campeonato do mundo, este assentiu mas impôs dezessete condições para o match. Como Capablanca não acordou com estas condições o match acabou por não se disputar.
Em Setembro de 1913, Capablanca conseguiu lugar no Gabinete dos Negócios Estrangeiros cubano, onde não tinha qualquer tarefa senão jogar xadrez. Esta posição permitiu-lhe defrontar em vários jogos de exibição os melhores jogadores europeus, onde provou a sua superioridade.
Em 1914, num torneio em São Petersburgo, Capablanca encontrou Lasker no tabuleiro pela primeira vez, e, apesar de ter estado com uma vantagem de 1,5 pontos acabou por perder para Lasker, com 13 pontos contra os 13,5 deste, embora com larga vantagem para o terceiro classificado Alexander Alekhine.

Campeão do Mundo

José Raúl CapablancaEm 1920, Lasker verificou que Capablanca estava demasiado forte para ele, e desistiu do seu título em favor deste dizendo que “Você ganhou este título não através dum desafio formal, mas através das suas brilhantes capacidades.” Apesar disso, Capablanca queria vencer num match, mas Lasker insistiu que ele próprio é que era o desafiante, que se disputou em Havana em 1921, o resultado cifrou-se em +4 -0 =10. O feito de ganhar o título de campeão do mundo sem derrotas só tem paralelo na vitória de Vladimir Kramnik sobre Garry Kasparov +2 -0 =14 em 2000.
Já como campeão do mundo, Capablanca dominou absolutamente em 1922 em Londres. Nesta altura apareciam cada vez mais jogadores de qualidade e pensou-se que o campeão do mundo não deveria poder evitar desafios ao seu título, como se verificou até então. Neste torneio os grandes jogadores da época Alekhine, Bogolyubov, Maroczy, Réti, Rubinstein, Tartakower e Vidmar encontraram-se para discutir as regras pelas quais se conduziriam os futuros campeonatos. Entre outras condições, uma imposta por Capablanca foi que o desafiante deveria angariar um mínimo de dez mil dólares para o prize money. Nos anos que se seguiram Rubinstein e Nimzowitsch desafiaram Capablanca mas não conseguiram reunir o dinheiro suficiente. Posteriormente Alekhine desafiou Capablanca, residindo o seu suporte financeiro num grupo de empresários argentinos e no próprio presidente do país.
No período em que foi campeão do mundo, Capablanca teve grandes mudanças na sua vida pessoal, em Dezembro de 1921 casou com Gloria Simoni Beautucourt, deste casamento nasceram José Raul em 1923 e Gloria em 1925, o casal acabou contudo por se divorciar. Neste período os pais de Capablanca faleceram.
Em 1924 Capablanca foi o segundo classificado atrás de Lasker em Nova Iorque, novamente com larga vantagem para o terceiro classificado Alekhine, em Moscou em 1925 ficou-se somente em terceiro lugar atrás de Efim Bogolyubov e Lasker, mas dominou completamente o torneio de seis jogadores disputado em Nova Iorque em 1927, ao não perder qualquer jogo e terminando com 2,5 pontos de vantagem para Alekhine. Nestas condições Capablanca era o claro favorito à vitória no match contra Alekhine a disputar nesse ano.

Perda do título

Partida entre Capablanca e Alekhine
Partida entre Capablanca e Alekhine.
Neste match verificou-se a queda de Capablanca. Apesar de ter tentado fazer Alekhine anular o match quando este rotundou numa série de empates, Alekhine recusou-se e acabou por levar o título com +6 -3 =25, contudo, apesar de acordado nas condições impostas para que o match decorresse que haveria direito a revanche, Alekhine recusou-se a jogar a desforra, em vez disso jogou dois matches contra Efim Bogolyubov, que não era da mesma categoria (Capablanca tinha um registro de 5-0 contra ele). Alekhine recusou-se mesmo a jogar os mesmo torneios que o seu rival.

Após o campeonato

Após ter perdido o título, Capablanca venceu vários torneios fortes, e em 1931 derrotou Max Euwe +2 -0 =8. Em seguida retirou-se do xadrez de alto nível, jogando apenas em jogos de menor responsabilidade no Manhattan Chess Club e simultâneas. Reuben Fine refere que neste período estava a um nível próximo do de Alekhine no blitz, mas Capablanca vencia-o “sem misericórdia” nas poucas vezes que jogaram.
Em 1934, Capablanca voltou a jogar ao mais alto nível. Tinha encontrado uma nova companheira, Olga Chagodayev, com quem casou em 1938, que o levou a jogar novamente. Em 1935, Alekhine perdeu o título para Euwe. Capablanca ficou com esperanças renovadas quanto à possibilidade de recuperar o título, tendo vencido o torneio de Moscou em 1936, à frente de Botvinnik e Lasker. Venceu empatado com Botvinnik o super-torneio de Nottingham também em 1936, à frente de Euwe, Lasker, Alekhine e os jogadores jovens mais promissores, neste torneio Capablanca e Alekhine defrontaram-se pela primeira vez desde o fatídico match e Capablanca conseguiu vingar-se. A sua “raiva mútua” era ainda forte, por isso nunca eram vistos sentados os dois junto ao tabuleiro por mais de alguns segundos, cada um fazia a sua jogada levantando-se em seguida.
Em 1937, Euwe, ao contrário do que Alekhine fez com Capablanca, correspondeu à obrigação de permitir a Alekhine o match de desforra, que este ganhou sem dificuldade. Depois disto, já não havia esperança para Capablanca recuperar o título, e Alekhine não jogou mais nenhum match pelo campeonato do mundo até à sua morte. O controle absoluto que o campeão fazia do título fez com que a FIDE adquirisse o controle da atribuição do título, para garantir que o melhor concorrente tivesse a possibilidade de defrontar o campeão.
Durante o torneio AVRO de 1938 ele sofreu um pequeno ataque cardíaco e também o pior resultado da sua carreira, sétimo de oito. Ainda assim, conseguia obter grandes resultados no tabuleiro, na Olimpíada de xadrez de 1939, em Buenos Aires, conseguiu o melhor resultado para Cuba, vencendo Alekhine e Paul Keres.
Na tarde de 7 de março de 1942, no Clube de Xadrez de Manhattan, Capablanca subitamente sofreu uma severa dor de cabeça e começou a perder a consciência. Foi levado às pressas ao hospital e na manhã seguinte, nos braços de sua mulher Olga, morreu de hemorragia cerebral... Havana enterrou seu herói nacional com honras de Estado.
Meus Grandes Predecessores Vol. 1, G. Kasparov.
Foi neste hospital que Emanuel Lasker tinha falecido um ano antes. O seu arqui-rival Alekhine escreveu “Com a sua morte, perdemos um enorme gênio no xadrez, como nunca veremos igual”.

Jogo

Planilha de notação de uma partida entre Capablanca e Réti, em Nova Iorque, 1924
Planilha de notação de uma partida entre Capablanca e Réti, em Nova Iorque, 1924.
Capablanca ainda é considerado como um dos melhores jogadores de todos os tempos. Ele é especialmente conhecido pela sua rapidez de julgamento, isenção de erros, grande qualidade nos finais e estilo posicional. É ainda conhecido pelo seu enorme talento natural e pelo pouco tempo dispendido para preparar os torneios.
Em toda a sua carreira, Capablanca sofreu menos de cinquenta derrotas em jogos oficiais, conseguindo ainda o feito de estar invicto durante oito anos consecutivos, de 1916 a 1923 inclusive, uma série de 63 jogos sem perder incluindo a vitória no campeonato do mundo. De fato, apenas Marshall, Lasker, Alekhine e Rudolf Spielmann ganharam dois ou mais jogos “a sério” ao já amadurecido Capablanca, mas no total dos confrontos saem a perder, Capablanca vs Marshall +20 -2 =28, vs Lasker +6 -2 = 16, vs Alekhine +9 -7 =33, excepto Spielmann que tem o resultado empatado +2 -2 =?. Dos jogadores de topo, apenas Keres tinha vantagem nos confrontos com Capablanca +1 -0 =5, note-se que esta vitória foi conseguida quando Capablanca já tinha cinquenta anos de idade.
Richard Réti afirmou que “O xadrez era a língua mãe de Capablanca”. E, de acordo com o sistema de classificação de Jeff Sonas, do sítio chessmetrics, Réti não se engana muito, visto Capablanca ter os picos de 1 ano, 3 anos, 5 anos e 9 anos mais altos da história.
Capablanca não fundou uma nova escola per se, mas o seu estilo influenciou muito o jogo de dois campeões do mundo Bobby Fischer e Anatoly Karpov. Mikhail Botvinnik também escreveu que tinha aprendido muito com Capablanca, e até apontou que o próprio Alekhine aprendeu muito com este em termos de jogo posicional, antes do match que os iria tornar rivais para sempre.
Botvinnik apontava o livro de Capablanca Chess Fundamentals como indubitavelmente o melhor livro de xadrez alguma vez escrito. Nele, Capablanca referia que apesar de o bispo ser habitualmente mais forte que o cavalo, a combinação dama e cavalo era normalmente superior à combinação dama e bispo. Botvinnik atribui a Capablanca os créditos por ter sido ele o primeiro a ter esta noção.

Morte do xadrez devido aos empates

O Arcebispo e o Chanceler, peças criadas por Capablanca, segundo a concepção de Matt Hucke, montadas a partir de peças comuns de xadrez com o uso de estilete e cola.
O Arcebispo e o Chanceler, peças criadas por Capablanca, segundo a concepção de Matt Hucke, montadas a partir de peças comuns de xadrez com o uso de estilete e cola.
Capablanca previu que num futuro próximo o xadrez iria deixar de ser praticado em virtude dos freqüentes empates, no sentido em que os mestres podiam, se quisessem e em razão dos seus profundos conhecimentos da teoria enxadrística, empatar todos os jogos. Isto ainda não se verifica, apesar de se ter chegado muito próximo deste ponto. Por exemplo, no primeiro match para o campeonato do mundo entre Karpov e Kasparov, o segundo, encontrando-se à beira da derrota, conseguiu seguir uma linha de jogo menos agressiva levando a uma série de empates tão longa que o match acabou por ser anulado, exatamente o tipo de situação que Capablanca reprovava e tinha previsto.
Para alterar esta questão, Capablanca sugeriu uma nova variante do xadrez, o Xadrez de Capablanca, a ser disputada num tabuleiro de dez por oito casas e com o acréscimo de duas novas peças: o arcebispo e o chanceler. A idéia por trás desta inovação era de que, se fossem adicionadas peças e se o tamanho do tabuleiro também fosse aumentado, a complexidade do xadrez também se ampliaria significativamente, o que permitiria ao jogador apenas um pouco mais habilidoso ter mais oportunidades para virar o jogo a seu favor, no lugar de apenas obter um mero empate. Note-se que esta complexa variante foi proposta por ele enquanto ainda era campeão do mundo.

Livros de Capablanca

  • A Primer of Chess, por José Raúl Capablanca (Harvest Books, Novembro de 2002)
  • Chess Fundamentals, José Raúl Capablanca (Everyman Chess, Outubro de 1994)
  • My Chess Career, por José Raúl Capablanca (Hardinge Simpole Limited, Outubro de 2003)
  • World's Championship Matches, 1921 and 1927, por José Raúl Capablanca (Dover, Junho de 1977)

Grandes Jogadores de Xadrez

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Gary Kasparov


Garry Kasparov
Garry Kasparov, 2007

Gary Kimovich Kasparov (em russo: Га́рри Ки́мович Каспа́ров) (Nasceu em Baku, Azerbaijão, 13 de abril de 1963) é um dos maiores campeões de xadrez de todos os tempos, com títulos mundiais consecutivos de 1985 a 2001. Possui a dupla nacionalidade russa e norte-americana. O primeiro nome de Kasparov foi Harry Weinstein, de acordo com a ascendência judaica do pai. Este morreu com menos de quarenta anos, quando o pequeno Harry tinha apenas sete anos.
Desde então tem vivido com a mãe, Clara Shagenovna, e sua família de origem armênia. A mudança de nome operou-se naturalmente, aos doze anos, conforme a lei, para Garry (Harry russificado) Kimovich (o apelido do pai era Kim) Kasparov (versão russa do nome da família da mãe, Kasparian).
Aos seis anos, Garik (assim era tratado Harry em criança) aprendeu a jogar xadrez sozinho no tabuleiro dos pais, e logo cedo mostrou a sua aptidão para a modalidade.
Com sete anos ingressa no centro de xadrez do movimento.
Pioneiros da juventude em Baku, os seus primeiros treinadores não escondem o espanto perante a extraordinária capacidade de memória que se destacava, visivelmente, das outras crianças.
Aprendendo de cor, lances, datas e resultados dos campeonatos do mundo, Garik começa a descobrir, também, o prazer da analise, envolvendo-se em complexos estudos orientados pelos seus instrutores. Os finais artísticos fascinam-no rapidamente. Alexander Alekhine impressiona-o. Desde muito novo quer imitar o grande campeão do mundo (1927-1935 e 1937-1945), e tem uma ascensão vertiginosa.
Aos nove anos atinge as primeiras categorias. Aos dez, tem o primeiro contato com a escola de xadrez de Botvinnik (campeão mundial 1948-1957, 1958-1960 e 1961-1963) e torna-se candidato a mestre! Conhece alguns treinadores que o acompanharão de perto: Nikitin (que ainda se mantém) e Schakarov (em Baku). Pela escola de Botvinnik passaram alunos como Anatoly Karpov, mas a maioria do estudo e orientado por correspondência. Os alunos tem apenas duas ou três sessões por ano com o Botvinnik, especialmente nas férias escolares.
Numa dessas sessões, depois de muitos progressos, Kasparov ouve do seu mestre as palavras mais reconfortantes para a ambição que já sentia, porque o seu estilo e comparado ao do próprio Alekhine, seu Ídolo! Botvinnik também dava os seus conselhos:
"Garry, há o perigo de se tornares um novo Larsen ou Taimanov (ambos grandes mestres, candidatos, no tempo de Fischer).
Mesmo numa idade madura, estes categorizados jogadores, por vezes, executam os lances e só depois pensam."
Kasparov era uma criança irrequieta. O seu objeto não era Larsen ou Taimanov. Ele queria ser como Alekhine!

Carreira

Em 1992, Kasparov e Nigel Short acusaram a FIDE de falta de profissionalismo e favoritismo. Além disso, os dois recusaram ceder 25% dos prêmios para a FIDE que terminou por retirar o título de Campeão Mundial de Xadrez de Kasparov e negou a Short o direito de desafiar Kasparov.
Em 1993, a PCA foi criada por ele, na época o campeão mundial pela FIDE, e Short, para a organização e divulgação do campeonato que conferiria ao vencedor o novo título de campeão do mundo.
Em outubro de 1993, o duelo entre Kasparov e Short aconteceu no Savoy Theatre de Londres. Kasparov ganhou claramente (12.5-7.5) e tornou-se Campeão Mundial PCA. Como a FIDE expulsara Kasparov e Short, Anatoly Karpov jogou contra Jan Timman pelo título mundial da FIDE, onde Karpov triunfou. Pela primeira vez na história do xadrez existiam dois campeões do mundo, o campeão mundial da FIDE Karpov e o campeão mundial PCA Kasparov.
Em 1995, Kasparov defendeu seu título PCA contra o GM indiano Viswanathan Anand no World Trade Center, num match iniciado em 1 de setembro de 1995. Kasparov ganhou o match de vinte partidas (10.5-7.5). A PCA encerrou suas atividades por falta de patrocínio, quando a Intel deixou de subvencionar a associação. Quando Kasparov enfrentou Vladimir Kramnik em 2000, em Londres, já era sob a tutela da Braingames. Kramnik ganhou o match (8.5-6.5), e pela primeira vez em quinze anos Kasparov não era detentor de nenhum título mundial. Ele foi o primeiro enxadrista a perder uma disputa pelo campeonato mundial sem ter ganho nenhuma partida desde a derrota de Lasker para Capablanca em 1921.
No mês de fevereiro de 1996, o computador Deep Blue surpreendeu o mundo ao vencer uma partida contra Kasparov, mas o ex-campeão venceu três jogos e empatou duas, vencendo a disputa de seis rodadas. Em maio de 1997, em uma outra partida, o computador derrotou Kasparov pela primeira vez. A IBM mantém uma página do evento. Porém, tal feito da IBM gerou polêmica, com a suspeita de Kasparov de que a IBM estava trapaceando para fins de auto-promoção. Um filme documentário chamado "Game Over: Kasparov and the Machine" relata essa suspeita.
Kasparov anunciou, para surpresa geral, sua aposentadoria em março de 2005, após vencer o Torneio de Linares.

Política

Kasparov foi preso em 14 de abril de 2007, após liderar uma manifestação contra as medidas tomadas pelo presidente russo Vladimir Putin e foi liberado horas depois. Kasparov se candidatou em 2007 para a presidência da Rússia em 2008. Em Novembro de 2007, foi preso novamente por fazer parte de manifestações contra Vladimir Putin, sendo libertado 5 dias depois da detenção.

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Emmanuel Lasker


Emanuel Lasker

Nome CompletoEmanuel Lasker
PaísAlemanha Alemanha
Nascimento24 de Dezembro de 1868
Berlinchen, Alemanha
Falecimento11 de Janeiro de 1941
Nova Iorque, Estados Unidos

Campeão Mundial1894-1921

Campeão de Xadrez
Emanuel Lasker
Na véspera do Natal de 1861, nasceu em Berlinchen, uma pequena cidade próxima a Berlim (Alemanha), um grande fenômeno do xadrez: Emmanuel Lasker. Cursou a universidade com brilhantismo, obtendo o título de doutor em matemática e filosofia, ciências essas que lecionou e cultivou com muito carinho por toda a vida. Era, fundamentalmente, um filósofo, de vasta cultura e grande inteligência, além de um jogador excepcional que reinou de forma indiscutível no mundo do xadrez por, acreditem, 27 anos consecutivos.
Iniciou-se nos tabuleiros aos doze anos de idade, junto com seu irmão maior Bertoldo, que era médico e excelente enxadrista. Desde cedo, demonstrou seu talento e a profundidade de suas concepções, as quais se baseavam nas teorias de Steinitz, pai do xadrez moderno e Campeão Mundial na época.
De 1889 a 1936, participou de 22 torneios, conquistando o primeiro lugar em 12 deles e o segundo em outros quatro. Dos 22 matches que disputou, com os maiores jogadores de seu tempo, ganhou 21 deles; em 12 não permitiu que seu adversário ganhasse uma única partida! Foi campeão mundial de 1894, quando tomou o título do próprio Wilhelm Steinitz (para o qual concedeu revanche dois anos depois), até 1921, quando perdeu o match para José Raúl Capablanca.
Mostrava sempre grande espírito de luta, fugindo sempre dos empates. Por isso, não era raro cair em posições inferiores. Todavia, era especialmente nessa hora que se agigantava, tornava-se mais perigoso, “qual pantera encurralada”, no dizer de Coria e Palau. Segundo Richard Reti, Lasker freqüentemente jogava mal intencionalmente, a fim de desequilibrar a partida, porque sabia que pelos rumos normais, pelas trilhas já conhecidas, o resultado seria o empate.
Sua obra literária mais conhecida é “O bom senso em xadrez”, escrita a partir de doze conferências que deu em Londres, no ano de 1895, para uma platéia de jogadores de xadrez.
Foi um dos pioneiros do xadrez psicológico, da luta entre duas vontades, duas personalidades. Assim, estudava as partidas, a forma de jogar, as forças e as fraquezas dos mestres que tinha de enfrentar, para explorar seus pontos fracos... E também para mexer com seus nervos, conduzindo o jogo para rumos que sabia não serem de seu agrado!
Nesse sentido, outra valiosa observação sua é que um dos segredos do xadrez é nunca fazer um lance puramente defensivo, porque a ameaça desconcerta mais que a própria concretização.
É famosa a passagem em que, jogando com um adversário que não suportava a fumaça de cigarros (e para o qual havia prometido não fumar durante a partida). Logo após cinco ou seis lances, ele tira um charuto do bolso e o leva à boca. O outro jogador chama imediatamente o árbitro, que calmamente observa:
– Ele não está fumando, porque o charuto continua apagado.
– É, mas ele está ameaçando acendê-lo!
Essa grande personalidade do mundo enxadrístico faleceu em Nova York, em 11 de janeiro de 1941, aos 79 anos.
Em 1894, Lasker derrotou Wilhelm Steinitz com um resultado de 10 vitórias, 4 empates e 5 derrotas, o que lhe permitiu tornar-se o segundo campeão mundial de xadrez, além disso foi o jogador que manteve este título durante mais tempo, 27 anos. O seu registro de vitórias em torneios inclui vitórias em Londres (1899), São Petersburgo (1896 e 1914) e Nova Iorque (1924).
Em 1921, perdeu o título para o cubano José Raúl Capablanca. Apesar de, um ano antes, Lasker se ter proposto a desistir do título em favor de Capablanca, este quis conquistar o título no tabuleiro.
Em 1933, Emanuel Lasker e a esposa, Martha Kohn, abandonaram a Alemanha (Lasker era judeu e temiam os nazistas) rumo à Inglaterra, e após uma curta estada na União Soviética acabaram por ir viver em Nova Iorque.
Lasker era conhecido pela sua abordagem “psicológica” ao jogo, por vezes escolhia uma jogada teoricamente inferior para tentar colocar o adversário “desconfortável”. Num jogo famoso contra Capablanca (São Petersburgo em 1914), onde devia ganhar a todo o custo, escolheu uma abertura com propensão para empatar o jogo, o que fez o adversário baixar a guarda e permitiu a Lasker triunfar.
Um dos jogos mais famosos de Lasker é o seu confronto com Bauer (Amesterdã 1889), onde sacrificou ambos os bispos, uma manobra que veio a repetir em vários jogos. O seu nome está associado a algumas aberturas, por exemplo a variação de Lasker do Gambito da Dama (1.d4 d5 2.c4 e6 3.Cc3 Cf6 4.Bg5 Be7 5.e3 O-O 6.Cf3 h6 7.Bh4 Ce4).

Outras facetas

Lasker foi um distinto matemático, obtendo seu doutorado em Erlangen sob a orientação de David Hilbert. A sua tese de doutoramento Über Reihen auf der Convergenzgrenze foi publicada na revista Philosophical Transactions em 1901.
Foi ainda filósofo e amigo de Albert Einstein. Também se dedicou ao bridge, jogo em que, à semelhança do xadrez, se tornou um mestre.

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Bobby Fischer


Bobby Fischer

Robert "Bobby" James Fischer (Nasceu em Chicago, 9 de março de 1943 - Faleceu em Reykjavik, 17 de Janeiro de 2008) foi um famoso enxadrista) originalmente norte-americano, naturalizado islandês e ex-campeão mundial de xadrez.

Vida e carreira

Filho de pai alemão, Hans-Gerhardt Fischer, um biofísico e mãe judia-suíça naturalizada norte-americana, Regina Wender, aprendeu a jogar xadrez aos seis anos com sua irmã mais velha, que o entretia com diversos jogos (dentre eles o xadrez) enquanto a mãe ia trabalhar. Mudou-se cedo para a Califórnia e pouco tempo depois para Nova Iorque, onde pôde desenvolver-se em grandes clubes seculares como o Marshall e o Manhattan.
Aos treze anos jogou a "Partida do Século" num torneio de Mestres em 1956 contra Donald Byrne, irmão de Robert Byrne, o qual também era Grande Mestre e foi vítima de uma das maiores partidas de Fischer no US-ch 1963, o qual Fischer venceu com 100% de aproveitamento, 13 em 13 possíveis e rating performance acima de 3000, feito igualado por Emanuel Lasker, na Alemanha.
Fischer venceu também o campeonato norte-americano oito vezes em oito participações (1957, 1958, 1959, 1960, 1961, 1962, 1973, 1975 e 1986), sendo a primeira aos catorze anos em 1957 e a segunda aos quinze, em 1958. Venceu jogadores tão fortes como Samuel Reshevsky (considerado pelo próprio Fischer como um dos dez melhores de todos os tempos - até então TOP 10), com tão pouca idade. De dezembro de 1962 até o fim da sua carreira, em 1992, Fischer venceu todos os torneios que disputou, exceto dois, nos quais terminou em segundo lugar: Capablanca Memorial, 1965, vencido por Boris Spassky e a Piatigorsky Cup, 1966, vencido por Vasily Smyslov. Geralmente Fischer vencia os abertos e grandes torneios que participava com 3 ou 3,5 pontos de vantagem em relação ao segundo colocado.
Bobby Fischer e seu primeiro treinador, John W. Collins, na década de 1950.
Bobby Fischer e seu primeiro treinador, John W. Collins, na década de 1950.
A principal façanha da sua carreira foi a classificação para chegar à final do mundial contra Spassky. Fischer venceu Taimanov (enxadrista top 10) por 6x0 num jogo melhor de 10. Fischer venceu Larsen (que era um dos cinco melhores jogadores do mundo) por 6x0 num jogo melhor de 10 e venceu Petrosian por 7,5x2,5 num jogo melhor de 10. Havia uma hegemonia russa desde quando Alekhine derrotou Capablanca em 1921. Após a recusa de Fischer em defender o título em 1975, a hegemonia de russos voltou e durou até o indiano Viswanathan Anand vencer o Mundial FIDE de 2000.
Em 1992, Fischer voltou a disputar um encontro contra Boris Spassky. Mesmo Fischer estando 20 anos afastado, enquanto Spassky permaneceu ativo durante todo este tempo, Fischer venceu com relativa facilidade e introduziu diversas novidades teóricas.
Fischer foi preso no Japão e lutou contra sua extradição para os Estados Unidos por quase um ano. A Islândia ofereceu cidadania a Fischer, tendo ele aceitado. Livre então pela cidadania islandesa, Fischer seguiu viagem para a Islândia chegando no dia 23 de março de 2005.
Em eleição feita pelo principal periódico internacional de xadrez, o Sahovski Informator, Fischer foi considerado pelos grandes mestres como o melhor enxadrista do século XX, à frente de Kasparov.
Único a vencer por 6x0 dois matches no Torneio de Candidatos. Tinha memória extraordinária, capaz de memorizar mais de 20 partidas relâmpago consecutivas. Consta QI = 187. Outras fontes indicam 184 e 181.
Bobby Fischer morreu em 17 de janeiro de 2008, na Islândia, aos 64 anos.

Repertório de aberturas

  • Com as brancas, adepto da Abertura do Peão do Rei, a qual defendia com a seguinte citação: Best by test.
  • De negras, contra e4, utilizava a Defesa Siciliana, variante Najdorf.
  • De negras, contra d4, c4 ou Cf3, jogou várias, a principal foi a Defesa Índia do Rei, depois a Grünfeld, dentre outras Defesas Índias.

Citações

  • "Não sou um computador como os outros querem pensar. Botvinnik disse uma vez que calculo melhor que os demais, que sou uma máquina, um homem prodígio e também fui uma criança prodígio. Aqui não há prodígio algum. Sou meramente um homem, mas um homem extraordinário. Estudo e aprendo cada dia mais e mais, um dia hão de ser meus o carro mais caro e a casa mais bonita. Na América não há ninguém que possa comparar-se comigo. Fui campeão nacional 7 vezes o que começa a ser fatigante. Aos 14 anos fui campeão nacional, com 16 "grande mestre", com 27 anos sou o melhor do mundo e com 28 serei declarado oficialmente campeão mundial. Meu objetivo é que ninguém no planeta saiba "mexer as peças" melhor do que eu!" Robert James (Bobby) Fischer, 1971.
  • "No final dos anos 1990 surgiu no ICC (Internet Chess Club) um jogador anônimo que superou muitos dos melhores jogadores do mundo em jogos relâmpago de 3 minutos, e rapidamente se disseminaram os boatos de que este jogador poderia ser Bobby Fischer. Nada ficou comprovado e até hoje não se sabe quem foi este jogador, mas um episódio envolvendo o vice-campeão mundial Nigel Short foi bastante marcante. Short havia sido informado sobre estas "aparições", mas não as levava a sério, até que em certa ocasião foi convidado por um "guest" para uma partida. Ele aceitou e o guest começou a jogar lances exóticos e passear com o Rei pela frente dos Peões logo nos primeiros lances. Porém, repentinamente, depois de intencionalmente ter degradado muito a própria posição, o guest passou a jogar lances fortíssimos e o venceu. Jogaram várias outras partidas, e em todas elas o guest passeava com o Rei, deteriorava a própria posição, e depois começava a jogar "para valer" e vencia. Ao relatar o episódio, Short apresenta vários motivos para ter concluído que de fato foi Fischer quem o venceu daquela maneira. Short comentou que há alguns meses ele havia empatado em 12x12 um match relâmpago contra Kasparov, portanto não havia muitas pessoas no mundo que pudessem vencê-lo por 7x0 ou algo assim, sobretudo iniciando o jogo com handcap de roque e vários lances a mais, aliás, provavelmente só uma pessoa poderia ter feito isso: Bobby Fischer."

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Anatoly Karpov


Anatoly Karpov


Vassily Smyslov.
Anatoly Karpov (Анато́лий Ка́рпов) em Dortmund
Karpov foi o primeiro campeão mundial de xadrez a ganhar o título sem disputar uma final. O seu adversário em 1975, o americano Bobby Fischer, desistiu de disputar a final pois não concordava que o match tivesse um número determinado de jogos. A proposta de Bobby Fischer era sagrar campeão quem obtivesse primeiro 9 vitórias, sem limite para o número de jogos na final. O presidente da FIDE à época, o ex-campeão mundial Max Euwe, não concordou e deu o campeonato a Karpov, uma vez que o mesmo já havia vencido Viktor Korchnoi e Boris Spassky (junto com Fischer e Karpov, os jogadores mais fortes da época) nas semifinais.

Pós-Merano

Anatoly Karpov
Karpov perdeu o título de campeão mundial para o jovem e determinado Garry Kasparov, no segundo Match entre os dois(o primeiro estava Karpov 5x0 Kasparov, mas, segundo alguns, por motivos da frágil saúde de Karpov, o match foi cancelado).
Durante a década de 90, após a criação da PCA, Karpov voltou a tornar-se campeão Mundial pela FIDE.
Ainda nesta década, conseguiu o feito histórico de alcançar o rating performance de 2799, no tradicional torneio de Linares, ficando 2,5 pontos a frente do seu arqui-rival, Garry Kasparov.

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Akita Rubinstein


Akita Rubinstein

O caçula entre doze irmãos, Akita Rubinstein nasceu em 1882 na pequena cidade de Stawiski, na Polônia. Seus pais queriam que estudasse para tornar-se um rabino, mas depois que aprendeu a jogar xadrez, quando já tinha dezesseis anos de idade, nada mais ocupou a sua mente.
Após vários anos de desenvolvimento técnico, explodiu no cenário internacional e foi um dos jogadores mais fortes de 1905 a 1911. Em 1912, venceu cinco torneios em seqüência, e o ano foi denominado de Ano de Rubinstein. Todos queriam ver uma disputa entre Rubinstein e Lasker, claramente o único jogador de nível similar. Infelizmente, essa disputa nunca ocorreu.
O início de profundos problemas psicológicos que mais tarde transformaram-se em doença mental, o aparecimento do gênio cubano Capablanca e o advento da primeira guerra mundial acabaram por pôr um fim nas suas esperanças de chegar ao título mundial. Embora permanecendo como um dos mais fortes jogadores do mundo até 1921, sua timidez patológica e a erosão da sua confiança levaram a uma desintegração gradual da sua capacidade enxadrista. Em 1932, abandonou os torneios e passou os seus últimos anos, até à sua morte em 1961, com a família na Bélgica.
O estilo Rubinstein forma uma ponte entre o de Steinitz e o dos mestres atuais. Domínio nas aberturas, profundo conhecimento das conseqüências das diversas estruturas de peões e uma habilidade insuperável para os finais de peões faziam parte do seu repertório.

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Adolf Anderssen


Adolf Anderssen (1818-1879)
 Anderssen (Nasceu em Breslau, Alemanha, 6 de julho de 1818 - Morreu em Breslau, 13 de março de 1879) foi um jogador de xadrez da antiga Alemanha e um dos mais destacados mestres do xadrez clássico do século XIX. Sua carreira desenvolveu-se antes da aparição dos Campeonatos do Mundo. Destacou-se pelo seu jogo agressivo: as suas grandes criações são duas partidas conhecidas como a imortal e a sempre-viva. Ele teve uma longa e distinta carreira no xadrez, em momentos considerado o melhor jogador do mundo, e ainda hoje admirado por seu brilhante estilo de jogo.
Adolf Anderssen (1818-1879), um dos mais destacados mestres do xadrez clássico do século XIX.

Começo

Anderssen nasceu em Breslau, Alemanha (atualmente Wroclaw, Polônia) em 1818. Viveu na sua cidade natal a maior parte de sua vida. Nunca se casou e vivia com sua mãe viúva e com sua irmã solteira. Graduou-se pelo ensino secundário em Breslau e em seguida foi para a universidade, onde estudou Matemática e Filosofia. Depois de se graduar, trabalhou como instrutor e professor de matemática. Sua carreira foi ensinar Matemática e seu hobbie e grande paixão, jogar xadrez.
Quando Anderssen tinha nove anos de idade, seu pai ensinou-o a jogar xadrez. Ele próprio disse ter aprendido a estratégia do jogo a partir do livro de William Lewis "Cinquenta partidas entre Labourdonnais e McDonnell" (1835). Anderssen não era um prodígio do xadrez. Seus progressos foram resultado de um esforço deliberado e, em 1840, com a idade de vinte e dois anos, ainda não havia superado alguns mestres alemães com Bledow, von der Lasa e Hanstein.
A primeira vez que atraiu a atenção do mundo do xadrez foi quando publicou alguns curtos problemas de xadrez em 1842. Mais tarde, em 1846, posicionou-se como editor da revista Schachzeitung (mais tarde chamada Deutsche Schachzeitung).

Londres (1851)

Em 1848 jogou uma partida com o jogador profissional Daniel Harrwitz. Devido a esta partida e à sua reputação no xadrez, recebeu um convite para ser o porta-estandarte da equipe de xadrez da Alemanha para o primeiro torneio mundial de xadrez, Londres 1851.
Anderssen não parecia muito convencido em aceitar o convite, já que o custo da viagem era demasiado alto para as suas posses. No entanto, Howard Staunton ofereceu-se para pagar-lhe os gastos da viagem. Desta forma, Anderssen pôde assistir ao torneio. Já no torneio venceu Lionel Kieseritzky, József Szén, Staunton e Marmaduke Wyvill, tornando-se o vencedor.
Também ficou conhecido por duas de suas partidas, as quais ganhou devido a combinações de notáveis sacrifícios de peças. Na primeira, chamada "A imortal", com as peças brancas, e jogando contra Lionel Kieseritzky em 1851, sacrificou um bispo, duas torres e finalmente a dama. Na segunda partida, levada a cabo em Berlim (1852), com as peças brancas e jogando contra Jean Dufresne, o sacrifício de peças foi mais modesto. O jogo foi chamado de "A siempre-viva".
Nos anos seguintes, foi considerado por muitos como o mais importante jogador do mundo. Em 1858 foi derrotado pelo norte-americano Paul Morphy, em Paris, tendo ganho dois jogos, perdido sete e empatado dois.
Anderssen jogou o curioso movimento inicial 1. a3 na partida contra Morphy. A esta abertura foi dado o nome de "Abertura Anderssen". Este movimento nunca havia sido popular em competições de categoria.

Londres 1862

Três anos depois de ser derrotado por Morphy, Anderssen ganhou o torneio de Londres 1862: o primeiro evento internacional round-robin (no qual cada participante joga uma partida contra todos os demais), com uma pontuação de doze vitórias em treze partidas, perdendo somente com John Owen.
Em 1866 jogou e perdeu uma partida contra Wilhelm Steinitz. A partida introduziu certo número de idéias novas no campo da estratégia de xadrez. Alguns escritores modernos dizem que depois desta partida, Steinitz declarou-se o campeão mundial, mas os mesmos jogadores não fizeram tal reclamação, nem sequer outra qualquer pessoa da época. Mais tarde, Anderssen perderia um segundo jogo contra Steinitz.

Baden-Baden 1870

O maior feito de Anderssen chegou quase no final de sua vida, quando ganhou Baden-Baden (1870), o torneio mais intenso que se havia jogado na época. Terminou à frente de seu velho rival Steinitz, assim como dos grandes jogadores Neumann e Blackburne.
Em Leipzig (1877) ficou em segundo lugar, sendo a sua última grande vitória. Tinha 59 anos e morreu dois anos depois.
A revista Deutsche Schachzeitung escreveu uma nota pela sua morte com um obituário de 19 páginas.

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Aaron Nimzowitsch (1886 a 1935)


SUA INFÂNCIA
Aaron Nimzowitsch nasceu em 1886 em Riga - Lituânia parte da Rússia Czarista, filho duma rica família judaica que dedicava-se ao comercio e se destacava pela sua religiosidade e altruísmo.
Seu pai tinha grande vocação para o xadrez que não pode concretizar, mas transmitiu ao seu filho, o amor profundo ao mesmo que nortearia a vida do menino até sua morte.
Aos 13 anos fez seu bar-mitzua judaico e já era um assombro na comunidade pelo seu jogo brilhante, sua vida foi confinada pela tremenda opressão czarista aos judeus em Vilna!
Em 1904 seu pai num esforço tremendo para driblar a opressão czarista, envia-o à Berlim.
Anos depois com o domínio nazista de 1930, em diante seria uma catástrofe um estudante judeu da Lituânia ir à Alemanha
Estuda Filosofia na Universidade local mas não é bem sucedido.
Neste torneio perde para Capablanca e Tarrasch, os participantes que acompanhavam o desenrolar, descreviam-no como possuidor de tiques nervosos, não tolerando qualquer ruído ou alguém falando, imediatamente reclamava ao arbitro. Mostrava-se pouco amável com os que assim lhe venceram e não dirigia palavras aos mesmos, mas aos que venceu ou empatou foi de extrema amabilidade. Já eram os primeiros sinais da tremenda doença que mereceu a atenção do genial criador da Psicanálise Sigmund Freud, estudando as desigualdades causadas pelas perseguições que os judeus sofreram na Europa.
Foi uma tragédia para vida de Nimzovitsch tendo de fugir de cidade à cidade, russo de nascimento, estava na Alemanha do Kaiser que abriu um tremendo conflito com a Rússia, Inglaterra e França.
Esta situação de incerteza permanente, minou sua mente gravemente e quando entrou na Suécia neutra onde permaneceu por 2 anos, fugindo da terrível guerra, já tinha desequilíbrios esporádicos. Em 1922 vai morar na Dinamarca até o fim da vida em 1934. Recebeu cuidados permanentes dos médicos dinamarqueses. A Dinamarca ao lado da Holanda era dos povos onde os judeus eram menos discriminados.
SUA CARREIRA
De 1904 à 1934, Nimzovistch participou de 47 torneios, jogando 638 partidas, venceu 302 e empatou 222 e perdeu 109. Venceu 18 destes torneios.
Apesar de sua genialidade, não pode disputar matches pelo titulo com Capablanca ou Alekhine pois não conseguiu bolsa junto aos capitalistas que não confiavam em seu equilíbrio. Mas seu trabalho inovador, para o desenvolvimento do xadrez moderno colocam-no para sempre no panteão dos grandes mestres.
SEUS PRINCIPAIS TORNEIOS
Carlsbad, 1907 (Com 21 anos classifica-se em 4º, empatando com Leonhardt Schlechter, a frente de Vidmar Duras, Teichmam, Spielmann e Tartakower.)
São Petersburgo, 1914 (Vence o torneio de mestres em São Petersburgo empatado com Alekhine, o de grandes mestres foi vencido pelo genial Emanuel Lasker.)
Copenhague, 1924 (Terminou Empatado com Akita Rubinstein)
Desden e Hanover, 1925 (1º em ambos, empatado com Tartakower.)
Nuremberg e Londres, 1927 (1º com Tartakower. Em Londres além de ser 1º, vence criando sua celebre imortal contra Yates.)
Berlim, 1928 [Centenário da Sociedade Enxadristica Berlinesa] (1º em brilhante performance)
Berlim, 1928 [Grande Torneio do Centenário da Sociedade Enxadristica Berlinense] (2º atrás de Capablanca)
San Remo, 1930 (2º atrás de Alekhine.)
SUAS IDÉIAS BRILHANTES QUE LHE PROJETAM PARA SEMPRE
Nimzovistch publicou os seguintes livros : Meu Sistema e Prática do Meu Sistema.
A resistência inicial pelos demais grandes mestres, como obviamente a tudo que é inovador lhe parecem enormes. Não obteve credito dos seus companheiros e muitas vezes foi ridicularizado!
A DEFESA NIMZO INDIA
1. e4 , Cc6
2. d4 e6
3. Cc3 Bb4
Quando Nimzovistch introduziu este lance seu eterno rival Siegbert Tarrasch, taxou-o de horrível. Nimzovistch responde: "A beleza das jogadas do xadrez não reside na aparência, mas nos pensamentos que estão por trás dele".
A DEFESA NIMZOWITSCH
1. e4 Cc6
Outra de suas inovações que até hoje são objeto de controvérsias, não aceitas pelos grandes mestres, e deve-se igualmente ao grande mestre dinamarquês Bent Larsen, ser usada em pequena escala nos atuais torneios de grandes mestres.
ARON NIMZOVISTCH TEM A PALAVRA
"Não sou chegado a escrever um prefácio, mas neste caso creio ser necessário, porque sendo a questão nova, será um bom começo"
"Meu novo sistema não surgiu repentinamente, mas sim de forma paulatina e, poderia dizer-se, orgânica. A idéia de analisar cada um dos elementos estratégicos do xadrez nasceu da intuição, mas realmente não seria suficiente, somente se eu dissesse, por exemplo, que as colunas abertas tem que serem ocupadas e aproveitadas e que o peão livre tem que ser detido. O tema exige detalhes. Pode parecer ser cômico, mas lhes asseguro, estimados leitores, que para mim o peão livre tem alma e, de modo semelhante ao homem, possui aspirações que dormem dentro dele, de forma desconhecida, e temores cuja existência somente suspeita. Isto é extensível a cadeia de peões ou a qualquer outro elemento estratégico. Sobre cada um deles darei uma série de leis e regras que vão ao detalhe, e contribuem para esclarecer os movimentos misteriosos e as ações mais comuns que se realizam nas 64 casas do tabuleiro."
"A Segunda parte do livro trata-se o jogo de posições, com atenção especial ao aspecto neo-romântico. Como muitas vezes se tem dito que sou o pai da citada escola, será interessante saber o que penso sobre ela."
"Os livros de xadrez são escritos de forma doutrinal crendo-se que a obra perde valor quando se coloca alguns toques humorísticos, na convicção de que o humorismo não adequado a um livro didático. Não compartilho desta opinião a qual considero inteiramente falsa. O verdadeiro humorismo contém muitas vezes mais verdades internas que a seriedade mais sombria. Pessoalmente sou partidário fervoroso dos paralelos cômicos gosto de utilizar os fatos da vida cotidiana para, comparativamente, esclarecer algumas facetas complicadas do xadrez."
"As vezes construo esquemas para ressaltar a estrutura dos pensamentos. Faço isto por razões pedagógicas e por segurança pessoal, porque senão qualquer critico medíocre que também há - só encontraria detalhes isolados e não o conjunto ramificado que constitui o autentico conteúdo deste livro. Os diferentes temas tratados na primeira parte aparentam ser simples e este é justamente o mérito. Ter reduzido o caos a uma série de regras que guardam entre si uma relação de causas é precisamente o que me orgulha. Muito simples parecem os casos especiais da sétima e oitava linha, mas foi muito difícil achá-los e reduzi-los a cinco. O mesmo se pode dizer das colunas abertas e com maior razão das cadeias de peões."
"Naturalmente, a medida que se avança, aumenta a dificuldade dado que o livro está estruturado de forma progressiva. De todo modo não utilizei estas dificuldades como escudo para defender-me de críticos superficiais. Supondo também que me atacarão porque cito partidas jogadas pessoalmente, mas também isto não me importa. Não tenho o direito, por acaso, de ilustrar meu sistema com minhas próprias partidas ? Trago também ao conhecimento, algumas partidas de aficionados - bem jogadas - mas não temam, porque não são o que aparentam."
"Ao publicar este volume o faço com a consciência tranqüila. Minha obra tem defeitos, porque é impossível cobrir todos os ângulos da estratégia, mas estou convencido ter escrito o primeiro livro verdadeiramente didático do xadrez."
SUAS MELHORES PARTIDAS
Johner, P - Nimzowitsch , Dresden 1926
Nimzowitsch , Sämisch, Dresden 1926
Nimzowitsch - Rubinstein, Dresden 1926
Nimzowitsch - Nielsen, Kopenhagen 1933
SEUS ÚLTIMOS DIAS E SUA MORTE
Nimzowitsch não teve muito credito dos seus contemporâneos por suas idéias inovadoras, hoje entretanto seu livro "Mi Sistema" é básico na leitura da formação dos grandes mestres.
Morreu em 16 de março de 1935 em Copenhague, sua situação econômica era difícil cercado por uma Europa onde os gritos histéricos e ameaça de extermínio aos judeus de Adolf Hitler ecoavam por toda parte!
Entre os que dedicavam ou dedicam suas vidas ao xadrez Nimzowitsch foi sem duvida o mais nobre dos pensadores para elevar o que tanto amava , ao que chamava "Jogo-Ciência".

O Autor

 

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